Belo Horizonte, 25 de outubro de 2026

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Copasa vai pagar R$ 300 milhões a Belo Horizonte para recuperar ruas danificadas por obras

Acordo judicial prevê três parcelas, auditorias independentes e prazo até 2028 para a recuperação do asfalto na capital mineira
Foto: Reprodução Sobral Online

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A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai pagar R$ 300 milhões ao município de Belo Horizonte para a recuperação e manutenção de vias públicas danificadas por obras da concessionária. O acordo judicial prevê o repasse do valor em três parcelas de R$ 100 milhões e estabelece que o dinheiro seja usado exclusivamente nos serviços de recuperação do pavimento.

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O acordo foi firmado entre a Copasa, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Prefeitura de Belo Horizonte, após uma condenação judicial que determinou que a companhia reparasse vias onde realizou intervenções desde 2010 sem a recomposição adequada do asfalto, em desacordo com a legislação municipal. A condenação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e se tornou definitiva. Na fase de cumprimento da sentença, a obrigação de fazer as reparações foi convertida em indenização financeira, que será destinada ao município para a execução das obras.

A primeira parcela, de R$ 100 milhões, deverá ser repassada em até 30 dias após a homologação judicial do acordo. As outras duas têm vencimentos previstos para 30 de abril de 2027 e 31 de janeiro de 2028. Os valores serão corrigidos anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país. O acordo estabelece que os R$ 300 milhões não poderão substituir os recursos que a Prefeitura de Belo Horizonte já destina regularmente à conservação das vias. O dinheiro deverá representar um investimento adicional em recuperação e manutenção de pavimentos.

Para fiscalizar o cumprimento dessa obrigação, será considerada a média das despesas municipais dos três exercícios anteriores à assinatura do acordo, com separação dos valores destinados a recapeamento e tapa-buracos. A prefeitura também deverá elaborar um cronograma de execução das obras, adotar critérios técnicos para a gestão dos pavimentos e prestar contas periodicamente ao Ministério Público. O prazo para a conclusão das obras é 31 de dezembro de 2028. A prestação de contas final deverá ser apresentada até 31 de março de 2029. A Promotoria de Justiça de Defesa da Habitação e Urbanismo de Belo Horizonte acompanhará o cumprimento das obrigações previstas no acordo durante os próximos cinco anos.

O documento também prevê auditorias técnicas independentes anuais para avaliar pelo menos 20% das intervenções realizadas pela Copasa nas vias da capital. Os relatórios deverão ser encaminhados ao Ministério Público. Além disso, as futuras intervenções da companhia deverão seguir a metodologia de recomposição de pavimentos incorporada ao Caderno de Encargos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). Em caso de descumprimento das obrigações assumidas pela prefeitura, o acordo prevê medidas como o bloqueio de recursos destinados à publicidade institucional. A restrição preserva gastos com comunicações de utilidade pública, como alertas da Defesa Civil, campanhas de saúde e informações sobre calendário escolar e benefícios sociais. O acordo foi construído pelo Ministério Público a partir de uma ação civil pública e busca reparar os danos causados por intervenções da concessionária, além de estabelecer mecanismos de controle para as obras futuras.