Belo Horizonte, 20 de outubro de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam na Band com acusações, provocações e troca de ataques

Primeiro debate presidencial tem cobrança sobre R$ 134 milhões ligados a Vorcaro, mudanças de posição sobre a escala 6x1, confronto sobre o SUS e suspeita de bomba na emissora
Foto: EPA

Ouça este conteúdo

0:00

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram pela primeira vez em um debate televisivo das eleições presidenciais neste domingo (18/10), na TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por provocações, acusações e divergências sobre segurança pública, saúde, direitos trabalhistas e relações internacionais. Em alguns momentos, os mediadores precisaram intervir para organizar as falas dos candidatos. Logo no primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro, além de mencionar a defesa de um acusado de assassinar uma criança, a proximidade de pessoas apontadas como assassinas da vereadora Marielle Franco, a posição contrária à identificação numérica nas cápsulas de munição e o voto do senador contra a ampliação da licença-maternidade durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Flávio não respondeu diretamente a essas questões e direcionou seus questionamentos a Fábio Luís, filho de Lula, investigado por suposta participação em um esquema de tráfico de influência. O candidato do PL também responsabilizou o governo Lula por irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso envolve descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, investigados por autoridades, com medidas de combate às fraudes e ressarcimento aos prejudicados durante o atual governo.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Na discussão sobre segurança pública, Flávio defendeu classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas e prometeu construir 500 mil vagas no sistema penitenciário caso seja eleito. Lula, por sua vez, reafirmou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública para organizar as atribuições dos municípios, estados e União, além de ampliar a participação do governo federal no combate à criminalidade. No segundo bloco, dedicado às propostas, os candidatos também divergiram sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Questionado pelos mediadores sobre o tema, Flávio afirmou que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, instituição privada, para comandar o Ministério da Saúde. A proposta, segundo ele, seria estabelecer um “padrão Einstein no SUS”. Lula questionou se o adversário pretendia privatizar o sistema público e afirmou que Flávio falava sobre o SUS sem nunca ter utilizado um serviço público de saúde. O presidente também retomou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2020 e 2022, e citou as mais de 716 mil mortes registradas no Brasil. Lula atribuiu parte das mortes à atuação do governo anterior e aos atrasos na compra de vacinas. “Eles tiveram uma experiência de quatro 4 anos. E foi o maior desastre da história desse país. Poderia ter evitado metade das mortes se ouvisse a ciência, se acreditassem a ciência. Eles não acreditavam”, afirmou. Durante a resposta, Flávio interrompeu o presidente, embora não estivesse com a palavra, e a jornalista Adriana Araújo, que mediava o debate ao lado de Eduardo Oinegue, precisou intervir.

Ainda no segundo bloco, o fim da escala de trabalho 6×1 provocou outro confronto. Flávio afirmou ter votado a favor da proposta defendida pelo governo Lula e recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, alegando que mudou de posição depois de ouvir trabalhadores. A declaração representou uma mudança em relação à postura contrária que havia manifestado anteriormente, tema que gerou desgaste para o senador nas últimas semanas. “Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros”, disse. Lula rebateu, afirmando que o adversário não conhecia a realidade dos trabalhadores nem utilizava serviços públicos. “O meu adversário, ele conhece ônibus por literatura, ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque ele nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Você conhece o cidadão que nunca trabalhou?”, provocou o presidente. No terceiro bloco, Lula elevou o tom e desafiou Flávio a apresentar os sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos, incluindo os de seus familiares, para que eventuais irregularidades fossem apuradas antes das eleições. “Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, afirmou. O presidente também pediu que os documentos dos familiares fossem encaminhados às autoridades competentes. Flávio declarou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados por Lula. Em seguida, acusou o presidente, sem apresentar provas durante o debate, de manter recursos fora de suas contas bancárias.

As relações internacionais também entraram no confronto. Lula questionou a proximidade de Flávio com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias de celulares e de outros produtos tecnológicos. O presidente acusou a família Bolsonaro de se subordinar aos interesses norte-americanos. Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter trabalhado para impor tarifas contra empresas brasileiras, apesar dos apelos de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, em favor de tarifas sobre as exportações nacionais. Na área de segurança, o senador também defendeu ampliar o uso de câmeras com reconhecimento facial em todo o país e endurecer as punições, sem detalhar quais medidas adotaria. Lula respondeu citando iniciativas de seu governo, como o programa Celular Seguro, que permite bloquear aparelhos roubados, e criticou o adversário por apresentar propostas que, segundo ele, repetiam ações já implementadas sem reconhecer as medidas em andamento. Ao final do debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar de São Paulo foi acionado após uma suspeita de bomba em um carro estacionado na emissora, que pertenceria à equipe de Flávio Bolsonaro. Durante a operação, jornalistas e convidados foram impedidos de deixar as instalações da Band. Após uma varredura policial, nenhum artefato foi encontrado e o local foi liberado.