Belo Horizonte, 21 de agosto de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

PF deve intimar Lulinha para depor sobre suspeita de tráfico de influência no governo federal

Mensagens encontradas no celular de lobista apontam articulações com integrantes do governo, negócios com cannabis medicinal e suposta atuação em nome do filho de Lula
Foto: Alex Silva/ AE

Ouça este conteúdo

0:00

A Polícia Federal (PF) deve intimar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para prestar depoimento no inquérito que apura uma suposta atuação dele em tráfico de influência no governo federal. A investigação busca esclarecer se o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria usado sua proximidade com integrantes do governo para favorecer empresas parceiras. Uma das frentes envolve negociações com o Ministério da Saúde relacionadas à autorização para comercialização de produtos à base de cannabis. O interrogatório, porém, só deve ser marcado depois que os investigadores concluírem a análise do conteúdo apreendido no celular da empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e também investigada no caso. A PF apura justamente a relação dela com Lulinha e com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, além da suspeita de que Roberta tenha usado a proximidade com o empresário para conseguir acesso a integrantes do governo.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Mensagens atribuídas a Lulinha e Roberta foram encontradas no aparelho da lobista e passaram a fazer parte da investigação sobre os negócios e articulações envolvendo o governo federal. Segundo informações do colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, os diálogos indicam que Lulinha teria conhecimento da atuação de Roberta e que os dois conversavam sobre negócios e contatos com integrantes do governo. Em uma conversa de 22 de março de 2024, a lobista afirmou que os dois trabalhavam em um nível diferenciado e disse que o futuro deles seria a “Suíça”. As mensagens também apontam que Lulinha teria relatado participação em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde. Swedenberger é citado na apuração por supostamente ter facilitado o acesso de Antonio Carlos Camilo Antunes ao Ministério da Saúde. O empresário é investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e teria tentado viabilizar um contrato milionário para a compra de cannabis medicinal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Roberta teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em transferências feitas por Antunes. Em uma delas, segundo a investigação citada pelo Metrópoles, o empresário teria informado a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que a PF avalia que poderia ser uma referência a Lulinha.

Outro nome citado nas mensagens é Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha e um dos proprietários formais do sítio de Atibaia, frequentado por Lula. Em uma das conversas, Roberta afirmou que Bittar estaria usando o nome de Lulinha para tentar fechar um negócio envolvendo a Telebras. “Já desmentiu?”, perguntou Lulinha. Na sequência, Roberta disse que havia negado a informação e afirmou que, caso Bittar fizesse negócio com o presidente da Telebras, ele não faria negócios com ela. A PF também identificou, em relatório produzido no novo inquérito, indícios de que Roberta demonstrava ter “autorização” para agir em nome de Lulinha. Em uma conversa com um interlocutor envolvido na prospecção de negócios junto ao governo federal, ela afirmou: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”. Com base nos diálogos, a PF apontou: “Aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”, conforme trecho da investigação obtido pelo Estadão. Lulinha também frequentava uma casa no Lago Sul, região nobre de Brasília, alugada por Roberta, e chegou a se hospedar no imóvel em algumas ocasiões. Segundo reportagem de O Globo, os dois usavam a residência para reuniões e Lulinha chegou a utilizar o imóvel sozinho. A informação já havia aparecido em um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária da lobista. Em um áudio enviado por Roberta à ex-funcionária Zildeni Gomes, ela pediu que fosse preparado o “quarto das kids” para acomodar Lulinha durante uma visita a Brasília. A defesa de Lulinha afirma que as visitas ocorreram por causa da relação de amizade entre ele, a família e Roberta, e não por atividades profissionais.

As investigações também apontam movimentações envolvendo Marcola. Mensagens encontradas no celular de Roberta indicaram a compra de duas joias avaliadas em R$ 9,2 mil para o ex-chefe de gabinete de Lula. A lobista chegou a enviar uma foto de um colar e de um par de solitários de diamante. Os advogados de Marcola afirmam que a compra das joias fazia parte de um empréstimo que foi posteriormente pago por ele. Além disso, Marco Aurélio Santana recebeu uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O documento foi enviado por Roberta, que, segundo as informações reunidas na investigação, tentava fechar o negócio com a pasta em conjunto com Lulinha, mas o contrato não chegou a ser firmado. A informação sobre a minuta foi inicialmente publicada pelo jornal O Globo. As mensagens também integram a apuração sobre uma transferência de R$ 249 mil feita por Roberta a Marcola, revelada no início de agosto. Em nota, Marcola afirmou que o valor correspondia a um empréstimo pessoal que já foi quitado.