Belo Horizonte, 18 de setembro de 2026

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Trump exigiu que Brasil permitisse “dissidentes políticos” nas eleições de 2026

Pedido dos EUA surgiu durante negociação do tarifaço e teve relação com as críticas de Trump ao processo contra Jair Bolsonaro
Trump exigiu que Brasil permitisse dissidentes políticos nas eleições de 2026
Trump exigiu que Brasil permitisse dissidentes políticos nas eleições de 2026 - Foto: Brendan Smialowski/ AFP

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O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil permitisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. O pedido foi incluído em um documento entregue por negociadores dos Estados Unidos durante as tratativas para revisar o tarifaço de 50% aplicado a produtos brasileiros. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17/09) por fontes do Itamaraty, depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar a existência da exigência. O documento reunia 21 pedidos feitos pelo governo americano.

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A proposta foi rejeitada pelo governo brasileiro e, segundo fontes da diplomacia, não avançou nas negociações. Os diplomatas brasileiros argumentaram que não existem “dissidentes políticos” no Brasil e consideraram que a exigência não fazia sentido dentro do funcionamento de uma democracia. As fontes afirmaram ainda que o documento continha “absurdos” e, por isso, o pedido não chegou a integrar os pontos do diálogo formal entre os dois países. A proposta circulou entre integrantes de nível técnico das diplomacias e não chegou a autoridades como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ou os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

A exigência apresentada pelo governo Trump tinha relação com a disputa política envolvendo Jair Bolsonaro. Durante o anúncio do tarifaço, em julho de 2025, Trump já havia criticado o processo contra o ex-presidente brasileiro, acusando o Brasil de promover uma “caça às bruxas” e afirmando que o tratamento dado a Bolsonaro poderia comprometer a realização de eleições “livres e justas” em 2026. No decreto que confirmou a sobretaxa de 50%, Trump também afirmou que o governo brasileiro estaria promovendo “perseguição política” contra Bolsonaro e seus apoiadores. A Casa Branca registrou oficialmente essas críticas ao justificar a medida tarifária.

No documento apresentado nas negociações, os Estados Unidos pediam que o Brasil se comprometesse com a realização de uma eleição presidencial “livre e justa” em 2026 e que não “detivesse”, prendesse ou limitasse arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral. A exigência fazia parte de um pacote mais amplo, que também tratava de comércio, liberdade de expressão, redes sociais, sanções financeiras e acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro. A proposta, no entanto, não foi aceita pelo governo brasileiro.

Trump também havia relacionado o tarifaço a outras questões envolvendo o Brasil. Em 2025, o presidente americano afirmou que decisões brasileiras envolvendo empresas e cidadãos dos Estados Unidos teriam violado a liberdade de expressão de americanos e criticou medidas que, segundo ele, poderiam pressionar empresas americanas a restringirem conteúdos publicados por usuários. Na ocasião, Trump declarou: “As políticas, práticas e ações do Governo do Brasil são repugnantes aos valores morais e políticos de sociedades democráticas e livres e conflitam com a política dos Estados Unidos de promover governos democráticos em todo o mundo, o princípio da liberdade de expressão e eleições livres e justas, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos.”