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O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil permitisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. O pedido foi incluído em um documento entregue por negociadores dos Estados Unidos durante as tratativas para revisar o tarifaço de 50% aplicado a produtos brasileiros. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17/09) por fontes do Itamaraty, depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar a existência da exigência. O documento reunia 21 pedidos feitos pelo governo americano.
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A proposta foi rejeitada pelo governo brasileiro e, segundo fontes da diplomacia, não avançou nas negociações. Os diplomatas brasileiros argumentaram que não existem “dissidentes políticos” no Brasil e consideraram que a exigência não fazia sentido dentro do funcionamento de uma democracia. As fontes afirmaram ainda que o documento continha “absurdos” e, por isso, o pedido não chegou a integrar os pontos do diálogo formal entre os dois países. A proposta circulou entre integrantes de nível técnico das diplomacias e não chegou a autoridades como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ou os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A exigência apresentada pelo governo Trump tinha relação com a disputa política envolvendo Jair Bolsonaro. Durante o anúncio do tarifaço, em julho de 2025, Trump já havia criticado o processo contra o ex-presidente brasileiro, acusando o Brasil de promover uma “caça às bruxas” e afirmando que o tratamento dado a Bolsonaro poderia comprometer a realização de eleições “livres e justas” em 2026. No decreto que confirmou a sobretaxa de 50%, Trump também afirmou que o governo brasileiro estaria promovendo “perseguição política” contra Bolsonaro e seus apoiadores. A Casa Branca registrou oficialmente essas críticas ao justificar a medida tarifária.
No documento apresentado nas negociações, os Estados Unidos pediam que o Brasil se comprometesse com a realização de uma eleição presidencial “livre e justa” em 2026 e que não “detivesse”, prendesse ou limitasse arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral. A exigência fazia parte de um pacote mais amplo, que também tratava de comércio, liberdade de expressão, redes sociais, sanções financeiras e acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro. A proposta, no entanto, não foi aceita pelo governo brasileiro.
Trump também havia relacionado o tarifaço a outras questões envolvendo o Brasil. Em 2025, o presidente americano afirmou que decisões brasileiras envolvendo empresas e cidadãos dos Estados Unidos teriam violado a liberdade de expressão de americanos e criticou medidas que, segundo ele, poderiam pressionar empresas americanas a restringirem conteúdos publicados por usuários. Na ocasião, Trump declarou: “As políticas, práticas e ações do Governo do Brasil são repugnantes aos valores morais e políticos de sociedades democráticas e livres e conflitam com a política dos Estados Unidos de promover governos democráticos em todo o mundo, o princípio da liberdade de expressão e eleições livres e justas, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos.”







