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A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15/09) mostrou ministros acalorados, com discussões e trocas de acusações que chegaram a interromper o clima formal do julgamento. Mas, pelas mensagens trocadas na semana passada, a tensão entre integrantes da Corte já vinha de antes e também passou para as conversas privadas no WhatsApp. O ministro Kassio Nunes Marques bloqueou Gilmar Mendes após receber uma sequência de mensagens do decano cobrando que ele e Luiz Fux deixassem de atuar em processos relacionados ao caso Master.
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Nas mensagens, reveladas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela Folha de São Paulo, Gilmar cobrou que Kassio e Fux reconhecessem que estavam envolvidos na situação e se afastassem dos processos. “Assumam q (sic) estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu o ministro, em referência a notícias relacionadas ao caso Master envolvendo Kevin Marques, filho de Kassio, e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux. Gilmar defendia que os dois ministros se declarassem suspeitos para a sessão desta terça-feira. Kassio respondeu: “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”. O decano rebateu: “Não julguem porra. Não respeito a quem nao (sic) se daH (sic) respeito”. Além disso, afirmou que Kassio deveria deixar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A troca de mensagens continuou até Kassio afirmar: “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”. Gilmar voltou a cobrar que o ministro “abrisse suas contas” antes de julgar qualquer processo sobre o Banco Master na Segunda Turma. Kassio respondeu: “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo.” Na sequência, Gilmar afirmou que a família de Kassio estaria envolvida em tramoias. Depois dessa sequência de mensagens, Kassio bloqueou o decano no WhatsApp. Na sessão desta terça-feira, Kassio de fato se declarou impedido de participar do julgamento sobre os elos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Com Luiz Fux, o conflito no WhatsApp teve outro contexto. As mensagens de Gilmar ocorreram durante uma discussão sobre o julgamento em que a Segunda Turma formou maioria para manter a ordem de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão acabou sendo revertida posteriormente pelo ministro Flávio Dino. Gilmar, que pediu vista assim que a sessão virtual foi aberta, acusou Fux de ter combinado com Kassio a antecipação dos votos, cerca de sete minutos depois. “Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que nao (sic) se repita”, escreveu o decano. Fux respondeu que Gilmar poderia dizer “espero que não se repita” para quem quisesse, mas não para ele. “Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir”, afirmou, desejando em seguida uma boa noite ao colega.
Gilmar ainda enviou outra mensagem a Fux: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma”, recomendou. A resposta de Fux foi direta: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”. As conversas mostram que os atritos entre os ministros já estavam presentes nos dias anteriores à sessão desta terça-feira, que posteriormente foi marcada por novos confrontos no plenário do STF envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Edson Fachin.







