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Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (21/07), durante uma reunião com diplomatas estrangeiros em Brasília, que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a “mesma origem” da empresa venezuelana Smartmatic e citou um suposto relatório da CIA sobre suspeitas de fraude nas eleições de 2012 da Venezuela. A declaração foi feita no evento “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, e reuniu representantes de quase 50 países e organizações internacionais. O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL também mencionou que haveria denúncias do governo dos Estados Unidos sobre vulnerabilidades em processos de votação eletrônica na Venezuela e afirmou que muitas das máquinas utilizadas no Brasil seriam da mesma empresa. As declarações, no entanto, repetem uma informação que já foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Segundo o TSE, a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem participou do desenvolvimento dos softwares usados nas eleições brasileiras. O esclarecimento foi publicado pela primeira vez em 2020 e atualizado em 8 de julho de 2026. Na nota, a Justiça Eleitoral afirma que são falsas as mensagens que associam a empresa venezuelana às urnas brasileiras e reforça que todo o projeto da urna eletrônica e do sistema de votação foi concebido e é administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral. “Dessa forma, o TSE reitera que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”, complementa o TSE. Em 2022, o TSE voltou a negar que a empresa tivesse acesso ao software utilizado no sistema eleitoral brasileiro, reiterando que o programa é desenvolvido e gerido apenas pela Justiça Eleitoral.
As declarações de Flávio Bolsonaro também provocaram reação entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, magistrados classificaram a fala como “derrotista” e lembraram que ataques sem provas ao sistema eletrônico de votação já resultaram em cassações e inelegibilidades em outros casos. A comparação feita por integrantes das Cortes foi com a reunião realizada pelo então presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, em 2022, quando atacou o sistema eletrônico de votação e sugeriu, sem apresentar provas, que as eleições de 2018 foram fraudadas. O episódio levou à condenação do ex-presidente e à sua inelegibilidade. Um dos ministros avaliou que Flávio Bolsonaro poderá enfrentar o mesmo cenário caso mantenha esse tipo de discurso e afirmou que a tendência, se houver queda no desempenho da campanha, seria intensificar críticas ao processo eleitoral. “Quanto mais a campanha derreter, a linha será atacar o processo e falar em interferência judicial, liberdade de expressão, urna falsa”, afirmou.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota nesta quarta-feira (22) negando ter atacado as urnas eletrônicas ou colocado em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O senador afirmou que sua declaração foi interpretada de forma equivocada e disse que apenas fez referência a dois episódios públicos: a reunião do ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, que resultou em sua inelegibilidade, e um relatório recentemente divulgado pela CIA sobre supostas fraudes nas eleições da Venezuela. O comunicado, porém, não explica a afirmação feita durante o encontro de que as urnas brasileiras teriam a “mesma origem” da Smartmatic. Na nota, Flávio declarou ter “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro” e defendeu a ampliação das missões internacionais de observação das eleições, afirmando que a presença de observadores estrangeiros contribui para aumentar a transparência, a integridade e a confiança pública no processo eleitoral.







