Ouça este conteúdo
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (02/09) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuída em até cinco dias, com dois dias de descanso semanal remunerado e sem redução de salário. Com a aprovação na comissão, a PEC está pronta para ser analisada pelo plenário do Senado, onde precisará passar por dois turnos de votação.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
O parecer foi apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da proposta. Durante a análise, 27 senadores participaram da reunião e quatro votaram contra o texto: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, Jaime Bagattoli (PL-RO), Tereza Cristina (PP-MS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). As 36 emendas apresentadas foram rejeitadas, e Aziz manteve o texto que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. A decisão evita que a PEC precise retornar à Câmara caso seja aprovada pelos senadores sem alterações. Entre as mudanças rejeitadas estavam propostas que defendiam a manutenção da jornada máxima de 44 horas semanais ou uma maior possibilidade de negociação entre empregados e empregadores.
Durante a discussão, Rogério Marinho chegou a pedir vista da proposta, adiando a análise por uma hora. O senador é autor de um texto alternativo que permitiria ao trabalhador escolher entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo mais flexível, baseado na quantidade de horas trabalhadas. Omar Aziz não incorporou a sugestão e defendeu a manutenção da proposta aprovada pela Câmara. O relator também afirmou: “Aqueles que defendem a família deveriam defender essa proposta. Não pode só falar de família da boca para fora. Tem que defender a família na prática, principalmente em relação às mulheres que são mães solo. A informalidade está no Brasil todo. Isso não é uma exclusividade de um estado ou do outro. Isso é de décadas, não é de hoje. Agora, justificar a informalidade para não votar a [jornada] 5×2, aí é para que a gente diga bem assim: ‘Não, enquanto eu não resolver a informalidade, eu não vou resolver o trabalho de quem trabalha [na escala] 6×1′.”
- Leia mais: Toffoli libera campanha digital de Renan Santos e autoriza fundo eleitoral e participação em debates
A intenção dos senadores é tentar votar a PEC no plenário até sexta-feira (04), durante o esforço concentrado. Para isso, porém, a proposta precisa ser incluída na pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Também foi aprovado pela CCJ um requerimento para estabelecer um calendário especial de tramitação, mas a medida ainda depende de aprovação do plenário. No Senado, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos. Se não for votada nesta semana, a análise pode ficar para depois das eleições. O governo trabalha para que a votação aconteça antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a base aliada pretende votar a proposta antes da eleição e, caso isso não seja possível, uma nova tentativa deverá ocorrer na segunda semana de outubro.
Pela proposta, a redução da jornada será feita de forma gradual. Dois meses depois da publicação da emenda constitucional, a jornada máxima passaria de 44 para 42 horas semanais, junto com a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado. Um ano depois dessa primeira redução, ou seja, 14 meses após a publicação da emenda, o limite chegaria definitivamente a 40 horas semanais. Caso seja aprovada nos dois turnos do Senado, a PEC será promulgada em sessão solene do Congresso Nacional, sem precisar de sanção do presidente da República. A tramitação ganhou força após um acordo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Davi Alcolumbre sobre pautas consideradas prioritárias para o governo. O entendimento foi discutido em um almoço no Palácio da Alvorada que também contou com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara. A proposta que prevê o fim da escala 6×1, já aprovada pelos deputados em maio, passou então a integrar a lista de matérias prioritárias do Senado.







