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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (28/08), durante sabatina da TV Globo, que não considera o aquecimento global como resultado direto da ação humana e classificou eventos de calor, chuva e seca como fenômenos climáticos extremos e cíclicos. Questionado pela jornalista Renata Vasconcellos sobre sua posição, Flávio também apontou o saneamento básico como a principal medida para proteger o meio ambiente e combater problemas ambientais. A entrevista foi conduzida por Renata e pelo jornalista César Tralli. Renata lembrou que, em um artigo publicado em 2019, o candidato havia afirmado que não existia aquecimento global e chamado o tema de “discurso apocalíptico” usado para barrar o progresso. Diante das evidências científicas atuais, ela perguntou se ele mantinha a mesma posição. Flávio respondeu: “Para mim, o que acontece hoje são eventos climáticos extremos. Excesso de calor, excesso de chuva, excesso de seca. Então, eu acredito que são efeitos cíclicos. E a maior forma da gente trabalhar o meio ambiente foi o que nós fizemos no governo do presidente Bolsonaro: aprovar o marco legal do saneamento básico para combater o esgoto que passa na porta da sua casa, que está me assistindo, e a prefeitura ou o governo do Estado não tem capacidade de investimento para te dar um esgoto tratado, para levar água filtrada para sua torneira. É assim que a gente vai combater os lixões. É com esses programas que vão, principalmente, dentro de áreas urbanas. Com relação às grandes áreas, como a Amazônia, muitas vezes o problema é até mais criminal do que ambiental. Acabamos de ver o Comando Vermelho agora também explorando ouro em reserva indígena. Então, é um problema que vai ser combatido no meu governo.”
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Na sequência, Renata voltou a questionar se Flávio considerava que não existe aquecimento global. O candidato afirmou: “Eu acho que tem eventos climáticos extremos. Tem épocas cíclicas que fazem mais calor, tem épocas que fazem mais frio, tem época que chove mais. E eu não acho que isso tenha a ver diretamente só com a influência do ser humano no ambiente.” A jornalista perguntou se essa posição não representaria uma negação das evidências científicas. Flávio respondeu apenas: “Não, eu estou falando que existem eventos climáticos.” Depois, César Tralli perguntou por que o plano de governo do candidato não apresentava medidas para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e quais ações seriam adotadas para proteger a população. Flávio voltou a citar o saneamento básico como principal resposta: “Tralli, a melhor forma que nós temos de proteger o meio ambiente é oferecendo saneamento básico para a população. Isso impacta, inclusive, na saúde.”
A explicação apresentada pelo candidato, porém, contraria o conhecimento científico consolidado sobre o aquecimento global. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que é inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre desde o período pré-industrial. O aumento das concentrações de gases de efeito estufa também está diretamente ligado às atividades humanas. Fenômenos naturais e ciclos climáticos existem e podem provocar variações no clima, mas não explicam sozinhos o aquecimento observado nas últimas décadas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também destaca que fenômenos como El Niño e La Niña influenciam temporariamente as temperaturas e os padrões de chuva, enquanto o aquecimento global de longo prazo continua relacionado à ação humana. O IPCC aponta ainda que as mudanças climáticas provocadas pelo homem já influenciam a frequência e a intensidade de diferentes eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e secas. Isso não significa que cada evento isolado tenha uma única causa humana, mas que os ciclos naturais não são suficientes para explicar a tendência global de aquecimento.
Após responder sobre meio ambiente, Flávio mudou o foco para a saúde pública e afirmou que o saneamento básico também tem impacto nessa área. “Eu quero falar para você: hoje é que tem dificuldade de achar um médico de uma UBS. Você que não tem, na hora de pegar o seu filho e levar com febre, passando mal, para uma unidade perto da sua casa, você não encontra remédio”, disse. O candidato declarou que a saúde será uma prioridade em um eventual governo, prometeu “transformar a saúde pública em saúde de qualidade” e afirmou que pretende modernizar o SUS (Sistema Único de Saúde). Durante a sabatina, ele também anunciou o médico Cláudio Lottenberg como seu futuro ministro da Saúde.
Um dia depois das declarações de Flávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou os negacionistas do aquecimento global e a redução do combate às mudanças climáticas e dos investimentos em saneamento básico. Em publicação no X neste sábado (29/08), Lula afirmou que essa postura representa um “amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país”. Sem citar Flávio nominalmente, o presidente declarou que o saneamento básico é fundamental e informou que, desde 2023, foram destinados R$ 23 bilhões para obras de abastecimento, esgoto e resíduos, além de R$ 3,5 bilhões para a retomada de empreendimentos abandonados por gestões anteriores. Lula afirmou ainda que o enfrentamento da crise ambiental exige atuação em diferentes frentes e que governar o Brasil exige preparo e responsabilidade com a ciência. Segundo ele, o negacionismo ambiental compromete o futuro e coloca o país na lógica de “passar a boiada”.







