Ouça este conteúdo
O Ministério Público de Minas Gerais investiga uma diretora de uma escola municipal de Caxambu, no Sul de Minas, por suspeita de obrigar um aluno de 10 anos a beber a própria urina como forma de punição. O caso é tratado como possível crime de maus-tratos e teria ocorrido durante uma conversa na direção da Escola Municipal Padre Correia de Almeida.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
Segundo relatório do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a situação começou depois que o menino urinou em uma garrafa dentro da escola e ofereceu o líquido a uma colega. Uma professora teria impedido que a criança bebesse e encaminhado o aluno à direção. Durante o atendimento feito posteriormente pelo Conselho Tutelar e pelo CREAS na casa da família, o menino contou que teria sido obrigado pela diretora a beber a própria urina.
A conselheira tutelar Adriana da Silva afirmou que a denúncia partiu do próprio aluno. Segundo ela, o menino relatou que obedeceu à ordem e bebeu o líquido. Conforme o documento que acompanha o caso, a diretora teria se exaltado durante a conversa, xingado o estudante e batido na mesa. Na sequência, teria obrigado o menino a beber a urina duas vezes. Duas servidoras teriam presenciado a situação.
A diretora teria acionado o Conselho Tutelar após o episódio, mas, segundo os órgãos que acompanham a denúncia, não teria informado sobre a suposta punição. Para a promotora de Justiça Tânia Nagib Abou Haidar Guedes, o enquadramento inicial é de maus-tratos, já que o menino estava sob a autoridade da profissional. As duas servidoras que teriam presenciado o episódio também poderão responder pelo crime por omissão, caso fique comprovado que não interferiram.
A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias do caso e informou que a investigação está em andamento. A Prefeitura de Caxambu afastou preventivamente a diretora, a vice-diretora e a secretária da escola por 60 dias e abriu um processo administrativo, garantindo o contraditório, a ampla defesa e o sigilo. O menino e a mãe recebem acompanhamento psicológico, enquanto testemunhas deverão ser ouvidas pela polícia. O estudante continua frequentando a mesma escola, agora sob a direção de outros servidores da Secretaria Municipal de Educação. Segundo o Ministério Público, o crime de maus-tratos prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, com aumento de um terço quando a vítima tem menos de 14 anos.







