Belo Horizonte, 23 de agosto de 2026

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Sargento é indiciado por feminicídio de capitã da PM morta em Belo Horizonte

Inquérito foi concluído e enviado à Justiça após investigação sobre ferimentos, drogas e objetos encontrados no apartamento da capitã
Foto: Redes sociais

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O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da Polícia Militar, foi indiciado nesta sexta-feira (21/08) pelo feminicídio da companheira, Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, capitã da PM. A policial foi encontrada morta no apartamento onde morava, no bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte, em 20 de julho deste ano. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o inquérito investigou a autoria, a materialidade, a motivação, a dinâmica e as circunstâncias do feminicídio e foi concluído e encaminhado à Justiça nesta sexta.

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A PCMG informou que o procedimento tramita sob sigilo, por determinação do Poder Judiciário. “O inquérito policial, instaurado para apurar a autoria, materialidade, motivação, dinâmica e circunstâncias do feminicídio, foi concluído e enviado à Justiça, nesta data. Outras informações não poderão ser prestadas, tendo em vista que o procedimento tramita sob sigilo decretado pelo Poder Judiciário”, afirmou a instituição. Com o fim da investigação, o caso será analisado pelo Ministério Público, que poderá apresentar denúncia à Justiça, pedir novas diligências ou solicitar o arquivamento. Se a denúncia for aceita, o sargento se tornará réu e será julgado.

A morte da capitã foi constatada na noite de 20 de julho, no Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Michelle havia sido levada à unidade por Eduardo Abner, que afirmou que ela teria caído da escada do apartamento do casal, no bairro Santa Cruz. A gravidade e a extensão dos ferimentos, principalmente no rosto, fizeram a equipe médica desconfiar da versão apresentada. O sargento foi preso em flagrante por feminicídio e tráfico de drogas em 21 de julho. No dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva.

Segundo o delegado Saulo Castro, responsável pela investigação, as lesões encontradas no corpo da vítima indicavam uma agressão deliberada. “Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime. (…). A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. Por ser um crime de natureza hedionda, o Judiciário pode converter o flagrante em prisão preventiva”, ressaltou o delegado durante pronunciamento oficial. Durante as primeiras verificações no hospital, um tenente da PMMG teria flagrado Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade. A situação resultou em uma autuação por tráfico de drogas.

Em depoimento à polícia, o sargento afirmou que o casal havia realizado uma festa no apartamento e que os dois consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Ele também disse que, depois que os convidados foram embora, o casal teve relações sexuais consensuais e alegou que práticas íntimas entre os dois envolviam frequentemente agressões consensuais. Na perícia realizada no imóvel, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que, segundo uma avaliação preliminar, pode ter sido usado para agredir Michelle. Os investigadores também encontraram roupas de cama lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. Em 31 de julho, a TV Globo informou que teve acesso a um laudo do Instituto Médico Legal (IML) que apontou a presença de substâncias associadas ao ecstasy e de anfetamina no organismo da capitã. A presença dos compostos, porém, não permitiu determinar a causa da morte, que continuava sob investigação.