Belo Horizonte, 3 de julho de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Pastor Márcio Poncio é preso em operação da PF que investiga Máfia do Cigarro e jogo do bicho

Ação autorizada pelo STF também mira Adilsinho, Rodrigo Bacellar e investiga lavagem de dinheiro, repasses ilegais a agentes públicos e sequestra R$ 22 milhões em bens
Pastor Márcio Poncio é preso em operação da PF
Pastor Márcio Poncio é preso em operação da PF - Foto: Reprodução/Redes sociais | Divulgação/Alerj | Divulgação/Polícia

Ouça este conteúdo

0:00

O pastor Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (02/07), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e possíveis pagamentos ilegais envolvendo a Máfia do Cigarro, o jogo do bicho e agentes públicos do Rio de Janeiro. A operação também cumpriu mandados de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como chefe da organização criminosa, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também autorizou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Márcio Poncio foi detido em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa da investigação busca aprofundar a apuração sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada por Adilsinho e verificar a possível ramificação do esquema dentro dos poderes Executivo e Legislativo do estado. Conforme informações do g1, Poncio é investigado por possíveis ligações com a Máfia do Cigarro. Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ele também é conhecido nas redes sociais por ser pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Já Rodrigo Bacellar permanecerá sob custódia e será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal.

As investigações avançaram após a apreensão de listas que estavam em poder de Adilsinho durante uma fase anterior da operação. De acordo com a Polícia Federal, os documentos continham registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade ligada à lavagem de dinheiro da Máfia do Cigarro. O nome de Márcio Poncio também aparece em registros relacionados ao grupo criminoso encontrados nesse material. Os investigadores afirmam que as anotações indicam possíveis repasses diretos de dinheiro a agentes políticos do Rio de Janeiro, o que motivou o aprofundamento da apuração nesta nova fase da Operação Unha e Carne.

A atual etapa da operação deriva da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para investigar o monopólio da comercialização ilegal de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, Adilsinho era alvo da ação, mas não foi localizado. A Polícia Federal informou que, naquela fase, foram encontradas planilhas com “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”. A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos são investigados por supostamente receberem uma mesada de Adilsinho. O contraventor acabou preso apenas em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após ser localizado com auxílio de drones.

A operação faz parte das investigações determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que estabeleceu, entre outras medidas, que a Polícia Federal investigasse a atuação das principais organizações criminosas do estado e suas conexões com agentes públicos. Em abril deste ano, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter ouvido do diretor-geral da Polícia Federal relatos de que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebiam mesadas do jogo do bicho. “O presidente da Assembleia está preso. Eu conversava com o diretor-geral da Polícia Federal que dizia que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho”, declarou o ministro.