Belo Horizonte, 3 de julho de 2026

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PF indicia presidente da ANM e mais 16 por esquema de mineração ilegal na Serra do Curral

Inquérito aponta atuação de empresários, servidores e consultores para manter extração irregular com documentos fraudados
Polícia Federal indicia presidente da ANM por esquema de mineração ilegal na Serra do Curral
Polícia Federal indicia presidente da ANM por esquema de mineração ilegal na Serra do Curral - Foto: André Jean Deberdt

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A Polícia Federal (PF) indiciou o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, e outras 16 pessoas suspeitas de integrar um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Belo Horizonte. Segundo o inquérito, empresários, servidores públicos, consultores e geólogos teriam atuado para manter a extração irregular de minério de ferro na Mina Granja Corumi por meio de fraudes em documentos ambientais e da influência sobre órgãos de fiscalização e licenciamento. Os investigados vão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais, usurpação de bens da União e tráfico de influência.

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A investigação foi desenvolvida no âmbito da Operação Parcours, instaurada após requisição do Ministério Público Federal para apurar a extração de minério em uma área tombada da Serra do Curral. De acordo com a Polícia Federal, a operação é um desdobramento da Operação Rejeito, que investiga um esquema mais amplo de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro ligados à atividade minerária na região. As duas apurações compartilham provas e apontam conexões entre os investigados. Pela Operação Rejeito, outras 34 pessoas já haviam sido indiciadas, elevando para 51 o total de investigados nos dois inquéritos.

O relatório da PF aponta que a mineradora Empabra teria utilizado instrumentos como o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM) para simular ações de recuperação ambiental enquanto a exploração mineral seguia normalmente. Conforme a investigação, o grupo poderia ter faturado até R$ 2,3 bilhões com a atividade. A Polícia Federal também afirma que a extração causou danos à Serra do Curral, incluindo a destruição da nascente do Córrego Taquaril, abertura de cavas além dos limites autorizados, supressão de vegetação e possíveis impactos ao lençol freático. O inquérito ainda sustenta que relatórios técnicos teriam sido produzidos para ocultar a lavra ilegal, enquanto servidores da ANM e integrantes de órgãos ambientais teriam favorecido a mineradora por meio da aprovação de pareceres e da omissão em fiscalizações. Consultores também teriam atuado como intermediários entre a empresa e agentes públicos.

As investigações também apontam que a Fleurs Global Mineração seria responsável pelo beneficiamento e escoamento do minério extraído ilegalmente. Segundo a Polícia Federal, o esquema não se limitava à Mina Granja Corumi. O chamado “Projeto Taquaril” previa expandir a exploração para outras áreas tombadas e embargadas da Serra do Curral com o objetivo de abastecer uma unidade de beneficiamento de minério. Ainda conforme o relatório, o grupo buscava influenciar decisões de órgãos responsáveis pelo licenciamento e fiscalização ambiental e mineral para obter pareceres e autorizações favoráveis, além de atuar para impedir o avanço do projeto de criação do Parque Nacional da Serra do Curral, medida que poderia inviabilizar os empreendimentos planejados para a região.