Belo Horizonte, 28 de junho de 2026

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CazéTV é investigada por publicidade abusiva de casas de apostas durante transmissões da Copa do Mundo

Senacon apura anúncios de bets exibidos antes e durante os jogos do Mundial e avalia se as ações incentivaram apostas de forma irregular
CazéTV é investigada por publicidade abusiva de casas de apostas
CazéTV é investigada por publicidade abusiva de casas de apostas - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

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A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu uma investigação preliminar para apurar a veiculação de publicidade de casas de apostas nas transmissões da Copa do Mundo feitas pela CazéTV. A apuração envolve anúncios de bets exibidos durante os jogos do Mundial e avalia se as campanhas descumpriram as regras de publicidade responsável previstas na legislação brasileira. A decisão foi publicada em despacho assinado na quarta-feira (24/06) pelo diretor substituto do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Daniel Amaral Nunes Carnaúba. Essa fase é anterior à abertura de um eventual processo administrativo que poderá resultar em sanções contra a empresa, caso sejam confirmadas irregularidades.

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Segundo o despacho, a investigação começou após a análise de registros audiovisuais das transmissões da CazéTV, canal comandado por Casimiro Miguel e responsável pela exibição dos 104 jogos da Copa do Mundo no YouTube. O documento cita três episódios específicos. O primeiro ocorreu durante a parada para hidratação da partida entre Inglaterra e Gana, quando, de acordo com a Senacon, o narrador incentivou os espectadores a “colocar a paixão em jogo”, orientando o acesso ao site da operadora de apostas ou a um QR Code exibido na tela, além de divulgar uma promoção exclusiva relacionada ao confronto. No segundo caso, registrado durante Argentina x Áustria, comentaristas destacaram uma oferta de cotações turbinadas, em que a plataforma aumentava de três para quatro vezes o valor pago ao apostador que acertasse o resultado, além de mencionar uma “segunda chance”, o que, na avaliação do órgão, aumentaria o apelo da oferta e estimularia apostas imediatas. Já o terceiro episódio aconteceu na partida entre Uruguai e Cabo Verde, quando outra operadora de apostas associou a paixão do brasileiro pelo futebol à prática de apostar.

A Senacon destaca que a legislação exige que a publicidade de apostas seja transparente, responsável e apresente informações claras sobre os riscos envolvidos. Também proíbe mensagens que incentivem apostas impulsivas, sugiram facilidade para ganhar dinheiro ou minimizem os riscos da atividade. Conforme o despacho, as ações publicitárias de diferentes casas de apostas foram exibidas tanto antes quanto durante as partidas transmitidas pela CazéTV. Caso a investigação identifique irregularidades, a empresa poderá responder a medidas administrativas previstas pelo órgão.

Em nota enviada ao UOL, a CazéTV afirmou que soube da abertura da investigação pela imprensa e informou que, até o momento, não foi oficialmente notificada pelas autoridades. O canal declarou estar à disposição para prestar esclarecimentos e afirmou atuar em conformidade com a legislação brasileira. “A CazéTV opera em estrita conformidade com a legislação brasileira, incluindo a Lei 14.790/2023, as normas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), as diretrizes do Conar e as normas do Código de Defesa do Consumidor, e trabalha exclusivamente com operadoras regularizadas pelo Ministério da Fazenda.”

O principal nome da CazéTV, Casimiro Miguel, também já comentou anteriormente as críticas sobre o grande volume de publicidade de casas de apostas nas transmissões. Em um vídeo publicado em 2025, que voltou a circular durante a Copa do Mundo, ele afirmou: “Eu vi várias vezes a galera dizendo: ‘ó, meu Deus, não aguento mais tanta publicidade de bets, tem bets em tudo o que é lado’. É fato, né? Não tem muito o que fazer, é o que faz girar o negócio. Se não existissem as bets, teria que arrumar dinheiro de outro lugar, mas não sei, sinceramente se teríamos as competições que temos [para transmitir].” Em seguida, completou: “Não sei se isso tem prazo de validade, mas acho que, em outro momento, vai ser a febre de outra parada pagando. Prejudicou o quê? A galera pode se incomodar de ver na tela, mas prejudicar o quê?”