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Um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. O documento contraria a versão oficial mantida até hoje, que aponta a morte de JK como consequência de um acidente de carro na Via Dutra. A análise foi elaborada pela historiadora Maria Cecília Adão e está sendo avaliada pelos conselheiros da comissão antes da votação final.
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O relatório tem mais de 5 mil páginas, incluindo anexos, e levou em consideração investigações recentes que levantaram dúvidas sobre a versão divulgada durante o regime militar. Entre elas está o inquérito civil do Ministério Público Federal (MPF), conduzido entre 2013 e 2019, que descartou a hipótese de colisão entre o Opala de JK e um ônibus da Viação Cometa antes do acidente com a carreta. Apesar disso, o MPF afirmou que não havia elementos suficientes para confirmar ou descartar um atentado.
A relatora também utilizou conclusões das comissões estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, além da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo. Os grupos apontaram que o ex-presidente pode ter sido vítima de um atentado político, com suspeitas de sabotagem mecânica no veículo, disparos de arma de fogo ou até envenenamento do motorista Geraldo Ribeiro, que também morreu no episódio.
JK morreu em 22 de agosto de 1976, quando o carro em que estava atravessou o canteiro central da Via Dutra e bateu em uma carreta na pista contrária. Durante décadas, investigações oficiais sustentaram que o acidente aconteceu após uma tentativa de ultrapassagem em que o Opala teria sido atingido por um ônibus. Essa versão também foi mantida por uma comissão da Câmara dos Deputados em 2001 e pela Comissão Nacional da Verdade em 2014.
Presidente do Brasil entre 1956 e 1961, Juscelino Kubitschek marcou o país com o plano “50 anos em 5” e pela construção de Brasília. Após o golpe militar de 1964, teve o mandato de senador cassado. Agora, quase 50 anos depois da morte do político mineiro, a CEMDP analisa um relatório que pode mudar oficialmente a história sobre o caso.







