Belo Horizonte, 23 de junho de 2026

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Polícia Federal investiga banco de Edir Macedo por suspeita de fraude financeira

Operação apura uso de fundos de investimento para ocultar rombo bilionário e possíveis irregularidades contábeis no Banco Digimais
Polícia Federal investiga banco de Edir Macedo por suspeita de fraude financeira
Polícia Federal investiga banco de Edir Macedo por suspeita de fraude financeira - Foto: Divulgação

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (23/06) uma operação para investigar suspeitas de crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Segundo a apuração, o banco teria usado fundos de investimento para mascarar um rombo bilionário e manipular sua real situação financeira. A ação atinge dirigentes da instituição, como o bispo João Urbaneja e o filho dele, Thiago Urbaneja, além de Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero. Edir Macedo não foi alvo de mandados de busca por estar fora do Brasil.

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A operação mobilizou mais de 50 policiais federais para cumprir nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. Também foram realizadas buscas em endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, apontados como responsáveis pela gestora ID, que administrava fundos ligados ao banco. A Justiça ainda autorizou o afastamento de sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 670 milhões. As investigações se baseiam em relatórios do Banco Central, que indicam manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação do banco. Em nota, a PF afirmou: “Essas ações visaram parecer solvente perante os órgãos de controle e facilitar operações financeiras supostamente irregulares”.

Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrações financeiras e operações de crédito proibidas. O Banco Digimais foi fundado em 1981 como Banco Renner, no Rio Grande do Sul, e mudou de nome em 2020 após a aquisição total das ações por Edir Macedo. Desde então, segundo a PF, a instituição passou a registrar sucessivos prejuízos, com rombo estimado em até R$ 8,5 bilhões. A atuação teria se concentrado em crédito consignado e financiamento de veículos, com um período inicial de crescimento seguido por forte deterioração financeira.

Entre 2023 e 2024, o banco passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima de 110% do CDI, movimento semelhante ao do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que acabou liquidado pelo Banco Central. Após a liquidação do Master em novembro de 2025, a investigação aponta que o Digimais ficou exposto em cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito ligadas à instituição. A PF também afirma que houve “sistemática superavaliação de ativos” dentro de fundos administrados pela corretora ID, com o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio do banco e viabilizar a emissão de títulos em volume desproporcional.

Segundo a investigação, esse esquema envolveu uma longa cadeia de fundos usados para inflar valores e sustentar operações financeiras. O caso já havia sido citado pelo Estadão em maio, com base em auditoria independente obrigatória do banco para o Banco Central. A holding de Edir Macedo teria adquirido R$ 741 milhões em cotas de um Fundo de Direitos Creditórios (FIDC) chamado Hermon, enquanto a PF aponta que ativos adquiridos por cerca de R$ 71 milhões teriam sido reavaliados e inflados até atingir esse patamar. Em paralelo, a Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou a União a indenizar acionistas em valores equivalentes a cerca de 7 mil ações da Vale, em um processo dos anos 1990 que ainda gera disputa sobre cálculo e pagamento. O fundo envolvido estima ter cerca de R$ 2,2 bilhões a receber, o que pode levar anos de discussão judicial para ser definido.