Belo Horizonte, 19 de junho de 2026

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Deolane vira ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro para o PCC

Justiça de São Paulo aceita denúncia do Ministério Público e aponta movimentação milionária, empresas sob suspeita e ligação com esquema atribuído à facção criminosa
Deolane vira ré por lavagem de dinheiro para o PCC
Deolane vira ré por lavagem de dinheiro para o PCC - Foto: Reprodução

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A influenciadora e advogada Deolane Bezerra virou ré após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão também tornou réus Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o operador financeiro Everton de Souza, além de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola. A defesa de Deolane terá dez dias para apresentar resposta à acusação.

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Na decisão, o juiz Deyvison Heberth dos Reis afirmou que há indícios suficientes para o prosseguimento da ação penal. Segundo o magistrado, a materialidade dos crimes foi demonstrada por conteúdos extraídos de celulares apreendidos, relatórios do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro, relatórios de inteligência financeira, análises de quebras de sigilo bancário e fiscal, além de comprovantes de depósitos fracionados identificados durante a investigação. A Justiça também apontou indícios da existência de uma organização criminosa estruturada para a prática de lavagem de capitais provenientes do tráfico de drogas e da integração ao PCC, utilizando a Transportadora Lado a Lado como empresa de fachada.

De acordo com a denúncia, Deolane teria atuado como receptora de recursos ilícitos oriundos da transportadora investigada. A Justiça afirma que a conta bancária da influenciadora foi usada para receber depósitos fracionados enviados pela empresa de fachada sob orientação de Everton de Souza, apontado como operador financeiro de Alejandro Camacho. O Ministério Público sustenta que há evidências de que Deolane integrava o núcleo financeiro responsável por movimentar e ocultar recursos da organização criminosa. Em trecho da decisão, o Tribunal de Justiça destacou que “a propositura da ação penal exige tão somente a presença de indícios mínimos e suficientes de autoria e materialidade. A certeza será comprovada ou afastada durante a instrução probatória, prevalecendo, na fase de oferecimento da denúncia o princípio do in dubio pro societate”.

Os investigadores afirmam que a influenciadora recebeu repasses financeiros da transportadora utilizada para lavar dinheiro da facção. Segundo o MPSP, os valores eram indicados por Everton de Souza, que mantinha os líderes da organização informados sobre as transações. A denúncia também aponta que empresas ligadas a Deolane teriam sido usadas para a lavagem de capitais. Relatórios técnicos citados pelo Ministério Público indicam movimentações de aproximadamente R$ 140 milhões consideradas incompatíveis com os valores oficialmente declarados. Entre as empresas mencionadas estão Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda, DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda, DSDD Cobranças e Informações Cadastrais Ltda, Bezerra Produções Artísticas Ltda e D & G Comércio em Geral Ltda.

Ainda conforme a investigação, as empresas apresentavam endereços considerados inconsistentes e não possuíam estrutura física compatível com as atividades declaradas, o que aumentou as suspeitas dos investigadores. O MPSP também afirma que essas firmas utilizavam serviços de contadores ligados a familiares de integrantes do PCC. A denúncia cita ainda um suposto plano para transferir recursos para Dubai por meio de fundos que dificultariam o rastreamento dos valores. Durante a operação, foram apreendidos dinheiro em espécie e uma máquina de contagem de cédulas em imóveis ligados à influenciadora. O Ministério Público menciona ainda um áudio enviado por Deolane a uma diarista acusada de furtar dinheiro de uma residência, além de apontar o uso de familiares e terceiros como supostos laranjas. A investigação destaca que os envolvidos mantinham um padrão de vida marcado pela ostentação e pela alta rotatividade de bens de luxo, incluindo a compra e venda frequente de veículos de alto valor.