Belo Horizonte, 19 de junho de 2026

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Irmã de Sicário ameaçou expor arquivos contra a família Vorcaro, aponta PF

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Joana Mourão dizia ter acesso a conteúdos capazes de comprometer os Vorcaro, cobrava ajuda financeira após a morte do irmão e prometia levar informações à imprensa
irmã de Sicário ameaçou expor arquivos contra a família Vorcaro e PF aponta tentativa de compra de silêncio
irmã de Sicário ameaçou expor arquivos contra a família Vorcaro e PF aponta tentativa de compra de silêncio - Foto: Reprodução

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A Polícia Federal afirma ter identificado mensagens que indicam uma tentativa de integrantes ligados à família Vorcaro de conter possíveis revelações de parentes de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, morto em março de 2026 após ser encontrado enforcado em uma cela da PF em Belo Horizonte. Segundo a investigação, a irmã dele, Joana Machado de Moraes Mourão, dizia possuir arquivos capazes de comprometer a família Vorcaro e aliados envolvidos no caso que apura um dos maiores escândalos financeiros do país.

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Documentos enviados ao ministro do STF, André Mendonça, e tornados públicos nesta terça-feira (16/06), mostram que Joana reclamava do abandono financeiro da família Vorcaro após a morte do irmão. Em mensagens enviadas ao primo Keysom Lúcio Silveira e a Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo, ela relatou dificuldades para pagar contas, risco de perder a casa e afirmou que Henrique Vorcaro não estaria prestando qualquer ajuda. Em uma das conversas, escreveu: “HV não se manifesta com nada $”. Na sequência, fez ameaças diretas: “Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades tbm”. Em outro diálogo com Manolo, ela declarou: “Eu tenho material pra acabar com a família inteira”.

Para a PF, o “material” citado por Joana provavelmente se referia ao conteúdo armazenado no iCloud de Sicário. A suspeita ganhou força após um áudio enviado por Keysom a Manolo em 11 de março de 2026. Na gravação, ele afirma que a prima passou a madrugada acessando a conta na nuvem do irmão e que “viu coisa demais aí”. Os investigadores apontam que as reclamações e ameaças feitas por Joana podem ter motivado encontros organizados por Manolo poucos dias depois. A PF identificou dois encontros em 28 de abril de 2026, um deles durante um almoço no restaurante Cozinha de Fogo, no BH Shopping, e outro à noite, em local ainda não identificado.

As mensagens também mostram que Joana buscava contato constante com Manolo para tratar da situação financeira. Em uma conversa recuperada pela PF, ela escreveu: “Preciso falar com o Manolo”; “Henrique não me responde”; “Em 5 dias bate 40.000 de financiamento na minha conta. Em 18 dias tem a prestação da casa. Estou desesperada já”. Mesmo após esses contatos, ela continuou ameaçando divulgar informações. Em 7 de maio, ao compartilhar uma notícia sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, escreveu: “Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho, no que depender de mim HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”.

O relatório da PF também detalha a atuação do grupo conhecido como “A Turma”, apontado como uma espécie de milícia privada ligada aos interesses da família Vorcaro. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam que a estrutura contava com homens armados, fuzis, veículos blindados e ações de monitoramento e intimidação de desafetos. Segundo os investigadores, Manoel Mendes Rodrigues seria o responsável pela segurança do grupo. A PF afirma que ele lidera uma organização fortemente armada no Rio de Janeiro, com características típicas de grupos paramilitares, utilizada para proteger integrantes da organização criminosa e promover ameaças ou retaliações contra quem contrariasse os interesses da família Vorcaro. Nesta terça-feira (16), a Segunda Turma do STF manteve as prisões de Felipe Cançado Vorcaro e Henrique Moura Vorcaro, primo e pai de Daniel Vorcaro, respectivamente.