Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Homem mata companheira e forja acidente na MG-050 para encobrir feminicídio

Vítima já estava morta antes da colisão e suspeito foi preso após denúncia em pedágio e laudo apontar estrangulamento
Homem mata companheira e forja acidente
Homem mata companheira e forja acidente - Foto: Redes sociais/reprodução

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A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, na manhã desta segunda-feira (15/12), um homem de 43 anos suspeito de matar a companheira, de 31, e tentar encobrir o crime ao simular um acidente de trânsito na rodovia MG-050, próximo a Itaúna, no Centro-Oeste de Minas. O caso, ocorrido no domingo (14/12), chegou a ser registrado inicialmente como acidente, porém, com o avanço das investigações, foi reclassificado como feminicídio após surgirem indícios de que a vítima já estava morta antes da colisão.

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Segundo a investigação, o casal morava no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte, e mantinha um relacionamento havia cerca de um ano. Conforme os levantamentos, o suspeito teria colocado a mulher no banco do motorista e provocado a batida do carro, que seguia no sentido Belo Horizonte–Divinópolis, contra um ônibus. O homem teve ferimentos leves, foi socorrido, mas fugiu do hospital após recusar internação. As apurações começaram depois que uma funcionária de uma praça de pedágio, por onde o veículo passou pouco antes do acidente, desconfiou da situação e fez a denúncia, considerada decisiva para o esclarecimento do crime

O chefe do 7º Departamento de Polícia Civil, delegado Flávio Destro, destacou que o relato foi fundamental. “A atendente estranhou o fato de a vítima estar desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, no banco do passageiro, conduzia o veículo ao alcançar o volante. Mesmo alertado, ele recusou ajuda e seguiu viagem”, afirmou. Pouco tempo depois, ocorreu a colisão. A partir das imagens e das informações repassadas, a família acionou a Polícia Civil, que iniciou os trabalhos investigativos e passou a analisar a dinâmica do ocorrido.

Durante as apurações, os investigadores encontraram inconsistências entre o suposto acidente e as lesões apresentadas pela vítima, o que reforçou a suspeita de que ela já estava sem vida antes da batida. Com base nesses indícios, equipes da Polícia Civil de Divinópolis passaram a monitorar o suspeito, que acabou preso em flagrante durante o velório da vítima, em um cemitério do município. Inicialmente, ele negou o crime e alegou que a companheira teria passado mal dentro do carro, mas, posteriormente, confessou o feminicídio durante os procedimentos policiais.

De acordo com a versão apresentada pelo suspeito, o casal discutiu na noite anterior no apartamento, em Belo Horizonte, e, durante a viagem para Divinópolis, a mulher teria passado a agredi-lo. Ele afirmou que se defendeu, empurrou a companheira e, após novas discussões, pressionou o pescoço dela com o braço e uma das mãos, deixando-a desacordada. Já o laudo de necropsia, segundo o médico-legista Rodolfo Ribeiro, reforçou a hipótese de simulação do acidente ao indicar que a morte pode ter ocorrido antes da colisão, possivelmente por estrangulamento, associado a lesões compatíveis com traumatismo craniano. “Na análise inicial, realizada com a informação de acidente de trânsito, foram identificados hematomas na região frontal e hemorragia encefálica. Com a nova suspeita, um exame mais detalhado revelou sinais de asfixia por constrição cervical externa, evidenciados por alterações hemorrágicas na região do pescoço”, explicou.