Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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PF vê indícios de lavagem após Bolsonaro movimentar R$ 30,5 milhões em um ano

Relatório do Coaf aponta operações atípicas envolvendo o ex-presidente, Eduardo e Michele Bolsonaro, com transferências milionárias e gastos elevados que entraram na mira da Polícia Federal
lavagem de dinheiro Bolsonaro
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A Polícia Federal (PF) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro movimentou R$ 30,5 milhões em suas contas bancárias entre março de 2023 e junho de 2024. Os dados foram levantados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e usados no inquérito que indiciou Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no caso relacionado ao tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Segundo os investigadores, as transações apresentam indícios de lavagem de dinheiro e outras possíveis práticas ilícitas.

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De acordo com o relatório de inteligência financeira, no período entre 1º de março de 2023 e 7 de fevereiro de 2024, foram identificados R$ 30.576.801,36 em créditos e R$ 30.595.430,71 em débitos nas contas de Bolsonaro. O documento não aponta ilegalidades diretas quanto à origem dos recursos, mas registra cerca de 50 comunicações de operações atípicas envolvendo o ex-presidente, sua esposa Michele Bolsonaro, o filho Eduardo Bolsonaro e terceiros. Desse total, quatro operações suspeitas foram ligadas às contas de Jair Bolsonaro e outras quatro às de Eduardo.

Entre as movimentações consideradas suspeitas pela PF está o repasse de R$ 2 milhões para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A transferência foi realizada em 13 de maio deste ano e já havia sido confirmada pelo próprio ex-presidente. O montante saiu de parte dos R$ 19 milhões recebidos em doações de apoiadores via Pix entre 2023 e 2024. Outra transação apontada pelo Coaf foi a transferência de R$ 2 milhões de Jair Bolsonaro para Michele Bolsonaro, valor que, segundo os investigadores, foi omitido pelo ex-presidente em depoimento.

O relatório também identificou uma operação de câmbio de R$ 1,6 milhão para uma conta do banco Wells Fargo, nos Estados Unidos, em nome de Eduardo Bolsonaro. A corretora responsável informou que a origem da quantia seria uma doação feita por Jair Bolsonaro, informação confirmada em extrato bancário. Além disso, as movimentações financeiras revelam que Bolsonaro teve despesas de R$ 6,6 milhões com dois escritórios de advocacia, dentro do período analisado.

Segundo a Polícia Federal, todas essas transações levantam suspeitas e “apresentam indícios de possíveis práticas de lavagem de dinheiro ou outros ilícitos, tendo os principais investigados como vinculados às referidas movimentações”.