Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Netanyahu revolta israelenses ao comparar guerra com adiamento de casamento do filho

Fala feita em hospital bombardeado gerou reação imediata de famílias de reféns, opositores e cidadãos indignados com o tom insensível do premiê
Netanyahu compara guerra com adiamento de casamento
Netanyahu compara guerra com adiamento de casamento

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, causou indignação ao afirmar que o adiamento do casamento de seu filho é um “sacrifício pessoal” comparável às perdas sofridas pela população durante a guerra contra o Irã. A fala foi feita nesta quinta-feira (19/06), durante uma entrevista coletiva no hospital Soroka, em Bersheba, que havia sido atingido por mísseis iranianos. Segundo ele, “cada um de nós carrega um preço pessoal”, incluindo sua própria família, que teve de adiar a cerimônia por causa da escalada do conflito. A comparação foi duramente criticada por familiares de reféns, parlamentares e grande parte da sociedade israelense.

Na ocasião, Netanyahu declarou: “Há pessoas que, infelizmente, também foram mortas. Famílias que perderam seus entes queridos. Eu realmente lamento isso. Cada um de nós carrega um preço pessoal. Isso não passou despercebido pela minha família. Sim, é a segunda vez que meu filho, Avner, passa por isso. Por causa da ameaça de mísseis e bombardeios. É certamente um alto preço pessoal para ele, para a noiva e para nossa família”. Em seguida, o premiê destacou o papel da esposa, Sara Netanyahu, chamando-a de “heroína” e afirmando que ela “sacrificou o melhor de seus anos” enquanto ele liderava ações contra o programa nuclear iraniano.

A repercussão foi imediata. Nas redes sociais, milhares de internautas israelenses expressaram revolta diante do tom considerado insensível do pronunciamento. Críticos argumentaram que a fala desrespeita a memória das vítimas fatais e o sofrimento contínuo das famílias dos reféns ainda em poder do Hamas. Anat Angrest, mãe de Matan, um dos soldados sequestrados em 7 de outubro de 2023, escreveu no X (antigo Twitter): “Também não passou despercebido pela minha família. Estou nas masmorras infernais de Gaza há 622 dias”.

Além disso, parlamentares da oposição e líderes civis também reagiram. Um deputado democrata e ex-líder do Movimento Israelense pela Reforma declarou: “Conheço muitas famílias que não foram forçadas a adiar um casamento, mas que agora nunca mais celebrarão os casamentos que deveriam ter acontecido”. Ele acrescentou que os verdadeiros heróis são os médicos, professores e cidadãos comuns que seguem em frente mesmo diante do caos e ainda chamou Netanyahu de “narcisista sem fronteiras”.

O casamento de Avner Netanyahu estava inicialmente marcado para novembro de 2024, mas foi adiado por motivos de segurança. A nova data estava prevista para segunda-feira (16/06), mas os eventos recentes forçaram novo cancelamento. Informações divulgadas por veículos da imprensa internacional apontam que o primeiro-ministro cogitava tirar alguns dias de folga para participar da cerimônia — algo que, segundo analistas, pode ter levado o Irã a subestimar os riscos de uma ofensiva, sendo surpreendido pelo ataque israelense. Até o momento, as autoridades israelenses confirmaram a morte de 24 civis em ataques recentes. Já organizações de direitos humanos estimam que ao menos 263 civis iranianos foram mortos desde o início dos bombardeios.