Belo Horizonte, 5 de junho de 2026

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Perito afirma que Henry Borel foi vítima de espancamento

Responsável por examinar o corpo da criança descarta acidente doméstico e nega que lesões tenham sido causadas por manobras de reanimação durante julgamento de Jairinho e Monique Medeiros
Foto: Reprodução

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O perito Luiz Carlos Leal Prestes, responsável por examinar o corpo de Henry Borel durante as investigações, afirmou nesta sexta-feira (29/05), durante o julgamento do caso, que o menino de 4 anos morreu em consequência de agressões físicas e descartou que os ferimentos tenham sido provocados por manobras de reanimação realizadas no hospital. O caso é analisado no julgamento de Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho.

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Ao ser ouvido pelos jurados, o especialista disse que a laceração encontrada no fígado da criança ocorreu antes da morte e provocou a hemorragia interna que levou ao óbito. Segundo ele, a conclusão pericial aponta que as lesões foram causadas por agressões. “Houve um homicídio por espancamento, esse menor chegou sem vida a esse hospital. A multiplicidade de lesões em sítios diferentes fez com que, inequivocamente, se concluísse que essa criança foi agredida e por isso houve a hemorragia interna”, afirmou.

Prestes também rejeitou a versão apresentada pela defesa de Jairinho, que sustenta que os ferimentos teriam sido causados durante a massagem cardíaca feita no atendimento médico. De acordo com o perito, a existência de hemorragia interna comprova que a lesão ocorreu enquanto Henry ainda estava vivo. Ele também descartou a hipótese de acidente doméstico e classificou essa possibilidade como uma “versão fantasiosa” e destacou que Henry apresentava 17 lesões externas, incluindo marcas na cabeça. Prestes ainda afirmou que a criança sofreu por um período antes de morrer e que os ferimentos são incompatíveis com uma queda ou outro acidente dentro de casa. “Essa criança sofreu durante algum tempo até sucumbir. Essa morte foi lenta, essa morte foi agônica, progressiva. Imagina uma criança de 4 anos. Qualquer arranhão a criança reclama. Com essa multiplicidade de lesões, a criança deve ter chorado e reclamado muito, porém com a hemorragia interna a criança perde a consciência”, disse o perito em depoimento.

Outro especialista ouvido no julgamento, o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, reforçou as conclusões técnicas apresentadas ao longo do processo. Ele afirmou que Henry morreu em decorrência de choque hipovolêmico e laceração hepática associada a múltiplos traumatismos. O legista também relatou a existência de três traumatismos na cabeça da criança, causados por impactos contundentes.

Com apenas dez testemunhas ouvidas até o momento, o julgamento deve continuar por vários dias. Após os depoimentos dos peritos, ainda serão ouvidas testemunhas de acusação, entre elas Leniel Borel, pai de Henry. Na sequência, prestarão depoimento as testemunhas de defesa, antes dos interrogatórios de Jairinho e Monique e dos debates finais entre acusação e defesa, etapa que antecede a decisão do Conselho de Sentença.

Jairinho e Monique no banco dos réus — Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo