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Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelaram supostas articulações entre integrantes do Comando Vermelho (CV) e Gutemberg Fonseca (PL), aliado do senador Flávio Bolsonaro e ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro. Os diálogos, divulgados pelo portal Metrópoles nesta segunda-feira (25/05), mostram conversas entre Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como um dos chefes da facção criminosa, e interlocutores ligados ao grupo político de Gutemberg. Segundo a investigação, as mensagens tratam de encontros, pedidos de nomeação em cargos públicos e possíveis trocas de favores envolvendo integrantes do governo estadual.
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As conversas foram registradas entre maio e agosto de 2025, período em que Gutemberg Fonseca ainda ocupava a Secretaria de Defesa do Consumidor no governo de Cláudio Castro. O ex-secretário havia sido indicado ao cargo por Flávio Bolsonaro em 2023 e deixou a função apenas em abril deste ano, durante mudanças promovidas pelo governador em exercício Ricardo Couto. A PF afirma que o traficante mantinha contato frequente com um assessor do ex-deputado TH Joias, identificado como “Dudu”, que atuaria como intermediador entre os criminosos e Gutemberg. Em uma das mensagens, Índio do Lixão escreveu: “cadê você? Assim eu vou ficar fraco”, acrescentando em seguida: “Tá geral aqui, Guto e todos. Cadê vocês?”. De acordo com os investigadores, “Guto” seria o apelido usado para se referir a Gutemberg Fonseca.
A investigação também aponta que traficantes cobravam a nomeação de Marcos José Menezes, ex-servidor da Prefeitura do Rio e coordenador de campanha de Gutemberg. Em julho de 2025, Índio do Lixão pressionou pela vaga e ameaçou buscar “outro caminho” caso a demanda não fosse atendida. Em resposta, Dudu afirmou que falaria com o ex-secretário e, cerca de uma hora depois, pediu o número da identidade do traficante, dizendo: “Vamos pegar logo essa nomeação”. Marcos José Menezes é ex-funcionário do Procon estadual atuando entre 2010 e 2020 e ex-servidor da Prefeitura do Rio entre 2020 e 2021. O órgão é subordinado à Secretaria de Defesa do Consumidor, comandada por Gutemberg até abril de 2025.
As mensagens mostram ainda que, em 25 de agosto de 2025, Índio do Lixão voltou a citar Gutemberg ao questionar se o ex-secretário poderia resolver uma pendência que Marcos Menezes não conseguia solucionar. “Irmão, caso o Marcos não resolver, o que você acha Guto chamar o Júnior e dar o papo?”, escreveu o traficante. Dudu respondeu: “Posso falar com ele. Já fala com Marcos agora. Senão eu já ligo nele [Gutemberg Fonseca]”. Dois dias depois, novas conversas indicaram a marcação de uma reunião entre Gutemberg, Marcos Menezes e o próprio traficante na sede do Procon estadual. O endereço do órgão chegou a ser enviado por Dudu para Índio do Lixão. A Polícia Federal informou, porém, que não conseguiu confirmar se o encontro realmente aconteceu.
Outro trecho da investigação aponta ligação direta entre o traficante e o advogado Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário da Defesa do Consumidor e ex-secretário estadual de Esportes, preso desde setembro de 2025 sob acusação de receber propina do Comando Vermelho. Em uma das mensagens enviadas a Carracena, Índio do Lixão compartilhou um vídeo institucional de Gutemberg Fonseca e afirmou que uma reunião envolvendo a concessionária Enel, o Procon e a Secretaria de Defesa do Consumidor teria ocorrido graças à sua atuação. “Mérito que ganha quando eu resolvo algo. Aí, reunião Enel, Procon e Sedcon”, escreveu. Segundo a PF, a frase indica que o traficante esperava algum benefício institucional em troca do suposto auxílio prestado. Dudu respondeu: “Mandei pro Menezes. Falei que era legal ter levado você. Ele ainda não respondeu”.







