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Durante participação no podcast “Inteligência Ltda”, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, teve uma fala infeliz ao defender que crianças possam trabalhar, justamente no Dia do Trabalhador. A declaração gerou forte indignação e críticas nas redes sociais. No Brasil, o trabalho infantil é crime e só é permitido na condição de aprendiz a partir dos 14 anos, com regras específicas de proteção.
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No programa, Zema comparou a realidade brasileira com a dos Estados Unidos e disse: “Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal. Recebe lá não sei quantos cents por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, você está escravizando criança. Então, é lamentável, mas tenho certeza de que nós vamos mudar isso”. Ele também relatou ter começado a trabalhar ainda jovem e defendeu que menores poderiam ajudar em atividades simples. Durante a fala, Zema também responsabilizou a esquerda pela rejeição ao trabalho infantil no país. “Hoje é Dia do Trabalho e aqui no Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança”, afirmou.
A repercussão negativa foi imediata. O deputado federal Lindbergh Farias classificou a declaração como “retrocesso” e afirmou que o Brasil já superou séculos de exploração, mas ainda enfrenta esse tipo de pensamento. Já o vereador Pedro Rousseff chamou a proposta de absurda. O ministro Guilherme Boulos foi ainda mais duro e classificou a defesa do trabalho infantil como um “ato de covardia” e finalizou: “O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata”.
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Diante da pressão, Zema voltou às redes sociais no dia seguinte tentando amenizar o impacto. Em vídeo publicado neste sábado (02), ele afirmou que se referia a adolescentes, apesar de ter usado o termo “crianças” na fala original. Disse ainda que defende oportunidades de trabalho com proteção e sem prejudicar os estudos. A tentativa de correção não evitou as críticas, já que a declaração inicial foi direta ao questionar uma proibição que existe justamente para garantir direitos básicos.
Além da repercussão política, o episódio expôs um ponto que incomodou ainda mais, já que Zema é empresário e patrão, o que torna sua declaração ainda mais sensível em um momento de mobilização nacional contra a escala 6×1 e em defesa de melhores condições de trabalho. A fala, feita em uma data simbólica e em meio a esse cenário, foi recebida como um sinal claro de desprezo pelas garantias básicas dos trabalhadores e reforçou a distância entre quem manda e quem trabalha.







