Belo Horizonte, 18 de julho de 2026

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Casal de pastores é indiciado por estupro de 6 adolescentes da igreja em Roraima

Investigação da Polícia Civil aponta uso da liderança religiosa para influenciar vítimas e apura tentativa de ocultação de provas
Casal de pastores é indiciado por estupro de 6 adolescentes da igreja em Roraima
Casal de pastores é indiciado por estupro de 6 adolescentes da igreja em Roraima - Foto: Arquivo pessoal

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A Polícia Civil de Roraima concluiu a investigação que apura crimes sexuais contra seis adolescentes praticados por um casal que atuava como pastor e pastora evangélicos. Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, foram indiciados nesta quarta-feira (15/07) por crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. Uma terceira mulher também foi indiciada por participação na destruição de provas.

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A investigação foi conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e começou após uma adolescente de 14 anos registrar um boletim de ocorrência em abril deste ano. Durante a apuração, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a Polícia Civil e relataram situações semelhantes envolvendo o casal.

Segundo a Polícia Civil, os investigados usavam a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das adolescentes e de seus familiares. A investigação aponta que os suspeitos convenciam as meninas de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual e ofereciam dinheiro, transferências via Pix e outros benefícios para evitar que os abusos fossem denunciados.

De acordo com a delegada Kamilla Basto, responsável pelo inquérito, a autoridade exercida pelos líderes religiosos teria dificultado a revelação dos casos. A Polícia Civil informou ainda que documentos da própria instituição religiosa estabeleciam punições para integrantes que demonstrassem “rebeldia” ou “dissidência” contra a autoridade da igreja, o que, segundo a investigação, reforçava um ambiente de intimidação entre os fiéis.

Além dos crimes sexuais, a Polícia Civil apurou uma suposta tentativa de ocultação de provas. Conforme o inquérito, uma mulher de 20 anos teria participado da destruição de um telefone celular pertencente ao pastor, com auxílio de uma adolescente e de uma das vítimas. Ela foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores. A investigação também aponta que uma das vítimas teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência falso informando o extravio do aparelho para justificar o desaparecimento do celular.

No relatório final, a Polícia Civil afirmou que não houve consentimento livre das vítimas e apontou que os atos teriam ocorrido em um contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção. Wenderson Lima foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Já Arielly Kamyla responderá, em tese, por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, e a delegada também solicitou a prisão preventiva dos dois líderes religiosos, pedido que será analisado pela Justiça.