Belo Horizonte, 18 de julho de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Família reconhece gerente da DamassaClan entre corpos encontrados em cemitério clandestino de Heliópolis

Identificação de Werlen Moitinho Vieira amplia investigação sobre mortes ligadas ao cenário do funk e do rap em São Paulo enquanto polícia apura possível atuação do crime organizado
Foto: Reprodução

Ouça este conteúdo

0:00

A família reconheceu nesta sexta-feira (29/05) o terceiro corpo encontrado em um cemitério clandestino em Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo. A vítima é Werlen Moitinho Vieira, gerente da produtora DamassaClan, ligada ao cenário do funk e do rap na capital paulista. Ele estava desaparecido desde o dia 21 de maio. O corpo foi localizado junto a outras três vítimas em uma área de proteção ambiental utilizada pela Sabesp, próxima aos chamados “prédios redondos”, onde a Polícia Civil investiga uma possível execução relacionada ao crime organizado.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Os quatro corpos foram encontrados na segunda-feira (25), enterrados em uma área de mata. Segundo a investigação, as vítimas estavam amarradas e enroladas em cobertores. Peritos apontaram que um dos cadáveres apresentava sinais de estar no local há mais tempo. Uniformes ligados à produtora DamassaClan também foram encontrados no terreno. Diante da forma como os corpos estavam enterrados, dos indícios de violência e das características da área usada para ocultação dos cadáveres, a Polícia Civil apura a hipótese de execução ligada ao crime organizado. A motivação dos crimes, no entanto, ainda não foi esclarecida.

Familiares de Werlen estiveram no Instituto Médico Legal (IML) Central e conseguiram reconhecer o corpo pelas roupas. Os peritos também utilizaram uma análise antropológica das falanges, os pequenos ossos dos dedos das mãos e dos pés, para auxiliar no reconhecimento. A técnica empregada pela Polícia Técnico-Científica permite estimar características como idade e estatura e, em casos de morte violenta, ajudar na identificação de lesões e circunstâncias da morte. Apesar do reconhecimento, o exame pericial ainda não foi concluído e o corpo não foi liberado para a família por questões técnicas e jurídicas. A expectativa é de que a liberação ocorra em até uma semana.

A Polícia Civil já havia confirmado oficialmente a identidade de outras duas vítimas encontradas no local: o cantor Jonas Barros de Oliveira, conhecido como MC GG ou “Gigante”, de 25 anos, e Francisco Rubens Souza Cruz, de 46 anos. Ambos foram reconhecidos por familiares. Segundo as investigações, Werlen e Rubens trabalhavam para a DamassaClan. O quarto corpo encontrado na área ainda não foi identificado. De acordo com os investigadores, a vítima estava em estágio mais avançado de decomposição. O IML realiza exames de DNA e análise da arcada dentária para tentar confirmar sua identidade, mas o resultado deve demorar devido à complexidade do caso.

Após o desaparecimento de Werlen, a DamassaClan publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que ele havia sido “assassinado de forma cruel” e sugerindo uma ligação entre o caso e a morte do cantor MC Kevin. “Nosso funcionário Werlen foi assassinado neste final de semana cruelmente enforcado e com um tiro na cabeça! Descobrimos quem matou Kevin, agora começaram a matar a gente!”, dizia a publicação, que foi apagada pouco tempo depois. O conteúdo passou a integrar as linhas de investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que também apura se as mortes de homens ligados ao cenário do funk e do rap têm relação com postagens que mencionavam MC Kevin. Até o momento, a Polícia Civil afirma não ter encontrado elementos que comprovem qualquer ligação entre a morte do funkeiro e os crimes investigados em Heliópolis. Kevin morreu aos 23 anos após cair da varanda de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 2021. A investigação da Polícia Civil fluminense concluiu que a morte foi acidental e descartou a participação de terceiros, embora o caso continue cercado por especulações nas redes sociais e no meio do funk.