Belo Horizonte, 10 de julho de 2026

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Chefe do USTR afirma que decisão sobre tarifaço contra o Brasil sairá até 15 de julho

Jamieson Greer diz que negociações com o Brasil continuam, mas reconhece impasse e confirma que o governo dos Estados Unidos anunciará a decisão nos próximos dias
Chefe do USTR afirma que decisão sobre tarifaço contra o Brasil sairá até 15 de julho
Chefe do USTR afirma que decisão sobre tarifaço contra o Brasil sairá até 15 de julho - Foto: FreePik

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O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou nesta quinta-feira (09/07) que a decisão sobre o possível tarifaço contra o Brasil será anunciada “muito em breve”. Em entrevista à Fox Business, ele disse que o governo americano continua negociando com representantes brasileiros, mas reconheceu que ainda há grande distância entre as posições dos dois países. Segundo Greer, o prazo legal para concluir o processo termina em 15 de julho, data em que o governo dos Estados Unidos deve definir se aplicará novas tarifas sobre produtos brasileiros.

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A declaração foi feita dois dias depois do fim da audiência pública promovida pelo USTR, última etapa da consulta sobre a investigação comercial aberta contra o Brasil. O órgão concluiu a apuração em junho e alegou que o país adota práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos. Com base nisso, recomendou a criação de novas tarifas para compensar o que considera um desequilíbrio na relação comercial entre os dois países. A medida, porém, ainda depende da decisão final do presidente Donald Trump.

Ao comentar o andamento das negociações, Greer afirmou: “Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acho que ainda há uma grande distância entre nós. Por isso, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, porque temos um prazo legal até 15 de julho”. Caso Trump aceite a recomendação do USTR, as novas tarifas poderão começar a valer já a partir dessa data.

A investigação teve início após Trump anunciar, em 1º de junho, a proposta de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, citando temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, o presidente americano também anunciou uma taxa adicional de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. Durante as audiências públicas, participaram representantes de setores como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

Para o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, “a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”. Já representantes de empresas que participaram das audiências avaliam que a adoção das tarifas é praticamente inevitável, embora a expectativa seja de que o alcance da medida seja ajustado conforme os impactos para a economia americana. Entre os principais argumentos apresentados está o risco de os Estados Unidos aumentarem a dependência de insumos e componentes vindos da China caso os produtos brasileiros fiquem mais caros.