Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Dia das Mulheres chega em meio ao aumento da violência contra mulheres e casos de feminicídio no Brasil

Enquanto o 8 de março marca a luta por direitos, casos recentes e dados alarmantes mostram que milhares de brasileiras seguem sendo vítimas de agressões, abusos e assassinatos
Foto: Getty Images/ iStockphoto

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Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o aumento do feminicídio no Brasil e a escalada da violência de gênero tornam a data mais urgente do que nunca. Somente em 2025, o país registrou 6.904 vítimas de feminicídio consumado e tentado, um crescimento de 34% em relação a 2024. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, o que representa quase seis mulheres mortas por dia. Além disso, ao menos quatro mulheres são vítimas de feminicídio diariamente. Portanto, quando se fala em 8 de março, não se trata apenas de homenagem, mas de enfrentar a dura realidade de que as mulheres seguem sendo tratadas como descartáveis em um país que ainda falha em protegê-las.

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Os primeiros meses de 2026 reforçam essa sensação de retrocesso. Terminamos 2025 com o caso de Tainara Souza Santos, que teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro até a Marginal Tietê por um ex-companheiro, na capital paulista, e morreu depois de semanas internada, lutando pela vida. Já em 6 de fevereiro, Alana Anísio Rosa, de 20 anos, foi esfaqueada 15 vezes no Rio de Janeiro após recusar um pedido de namoro. No dia 9, Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, estudante de psicologia, foi abusada e morta por um homem que a seguiu quando voltava para casa, depois de sair de uma entrevista de emprego, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ainda em fevereiro, a freira Nadia Gavanski, de 82 anos, foi estuprada antes de ser assassinada dentro do convento onde morava, em Ivaí, no Paraná. Além disso, veio à tona nesta segunda-feira (02/03) um caso de estupro coletivo praticado por quatro homens contra uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro. Como se não bastasse, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. A mãe da criança, que permitia a relação e recebia cestas básicas do agressor, também foi absolvida. Esses são apenas alguns episódios recentes, porém, diariamente novos casos ocupam manchetes e escancaram a repetição de um ciclo que parece não ter fim.

Segundo relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 4 de março de 2026, 8 em cada 10 feminicídios no país foram cometidos pelo parceiro ou ex-parceiro. Os dados ajudam a dimensionar a gravidade do problema e traçam o perfil das mulheres vitimadas. A análise de 5.729 registros de feminicídio ocorridos entre 2021 e 2024 mostra que 62,6% das vítimas eram mulheres negras (3.587), enquanto 36,8% eram brancas (2.107). Esses números revelam que a violência de gênero também está associada a desigualdades raciais e sociais. Em 59,4% dos casos o autor era o parceiro íntimo e, em 21,3%, o ex-parceiro. Entre os casos com autoria identificada, 97,3% foram cometidos por homens, enquanto apenas 4,9% tiveram desconhecidos como autores. Desde a tipificação do feminicídio na legislação, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas por razões de gênero no Brasil. Ao mesmo tempo, o país registra um estupro a cada seis minutos. Embora parte do crescimento das notificações seja atribuída à melhora na qualidade dos registros, os números seguem alarmantes.

Diante desse cenário, o 8 de março não é só uma data no calendário. É um momento de parar e olhar para o que está acontecendo com as mulheres neste país. Além de memória e homenagem, é um dia que precisa ser de reflexão e cobrança. Afinal, até quando mulheres serão julgadas, questionadas e desacreditadas mesmo quando são vítimas? Perguntas como “que roupa ela usava?”, “ela estava bêbada?” ou “deu abertura?” continuam sendo direcionadas às vítimas, enquanto o foco deveria estar no agressor, que precisa responder por seus atos e ser socialmente responsabilizado. Quando há sensação de impunidade, inclusive quando decisões judiciais absolvem acusados, o recado que fica é que a violência compensa. Trata-se de uma cultura que protege homens violentos e silencia mulheres. Não é sobre vestimenta, idade ou lugar. Trata-se de violência, de poder e da condição de ser mulher em uma sociedade que ainda naturaliza abusos. Enquanto houver quem relativize crimes e transfira culpa para as vítimas, a mobilização precisa continuar firme e sem concessões.