Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Rêne Júnior alega ter confessado morte de gari após ser coagido

Acusado afirma que delegado o pressionou durante as oitivas e que ameaça envolvendo a carreira da esposa, a delegada Ana Paula Balbino, o levou a admitir o crime
Foto: Reprodução/ Itatiaia

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Durante a audiência de instrução realizada nesta quarta-feira (26/11), o acusado Renê Júnior afirmou que só confessou a morte do gari Laudemir Fernandes, de 47 anos, porque teria sido coagido durante as oitivas feitas pela Polícia Civil nos dias seguintes à sua prisão. Logo no início do depoimento, ele declarou que um delegado o pressionou ao dizer que já havia exame de balística confirmando que o projétil teria saído da arma da esposa dele, a delegada Ana Paula Balbino, e que, caso ele não assumisse o crime, a carreira dela seria “acabada”. Essas declarações, segundo Renê, teriam o levado a admitir o homicídio.

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Renê relatou ainda que, no momento da oitiva, havia três delegados na sala, além do advogado Lázaro Samuel Gonçalves. “Eu confessei, sabe por que? Porque o delegado disse ‘já foi feita a perícia do projétil, foi a arma da Ana Paula e se o senhor não confessar, a gente vai acabar com a carreira dela’. Aí o Leo disse ‘ou você se joga ou deixa o pau torar lá na frente’. Então, eu vou me jogar”, disse em depoimento. Ele ainda afirmou que um dos delegados teria induzido suas respostas, ditando o que a escrivã registraria e perguntando repetidamente se ele “concordava”. Segundo o réu, o advogado era testemunha de toda a cena. O acusado responde por homicídio triplicamente qualificado por motivo torpe, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual.

Além do depoimento de Renê, quatro testemunhas foram ouvidas nesta quarta-feira. Uma delas foi dispensada, enquanto outra, um perito da Polícia Civil, deverá responder por escrito. Na véspera, o Judiciário já havia registrado a oitiva de outras sete testemunhas de acusação, incluindo amigos da vítima e policiais que atenderam a ocorrência no dia do crime.

Na primeira audiência de instrução, realizada nesta terça-feira (25), foram ouvidas oito testemunhas, quatro delas colegas de trabalho do gari que presenciaram o fato. Renê participou da sessão por videoconferência. Já a delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa do réu e responsável pela arma usada no crime, será julgada separadamente, pois o processo foi desmembrado. As audiências dela ainda não têm data definida.