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Em meio a uma forte crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva trocaram recados diretos nesta terça-feira (23/09) durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. No primeiro encontro público desde que tensões se intensificaram, Lula criticou a “ingerência em assuntos internos” do Brasil, enquanto Trump rebateu falando em “censura, repressão e corrupção judicial”. Apesar do clima de confronto, o republicano afirmou ter sentido uma “excelente química” com o presidente brasileiro e revelou que ambos devem se encontrar na próxima semana, embora o governo brasileiro ainda não tenha confirmado a reunião.
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Lula abriu a Assembleia Geral com um discurso em tom firme, mirando principalmente a política externa americana. Sem citar Trump, a quem em outras ocasiões chamou de “imperador”, o presidente denunciou “medidas unilaterais e arbitrárias” que, segundo ele, afetam as instituições e a economia do Brasil. Lula também criticou “nostálgicos de antigas hegemonias”, em referência às pressões de Washington em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022. Em agosto, os Estados Unidos impuseram tarifas punitivas a produtos brasileiros sob a justificativa de que existe uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, aliado de Trump, e ainda sancionaram autoridades brasileiras e seus familiares em represália ao julgamento do ex-mandatário.
Logo após Lula, Trump subiu ao púlpito da ONU e dedicou parte de seu discurso ao Brasil. O republicano afirmou que o país enfrenta “importantes tarifas” por recorrer à “censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a dissidentes políticos nos Estados Unidos”. Embora não tenha mencionado diretamente Bolsonaro ou sua condenação, Trump usou a tribuna para criticar a atuação do Judiciário brasileiro e a postura do governo.
Apesar das críticas, Trump surpreendeu ao fazer comentários elogiosos sobre Lula e relatar um encontro casual pouco antes de seus discursos. “Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo: o vi, ele me viu e nos abraçamos”, contou o americano, descrevendo o encontro de “uns 39 segundos” em que percebeu uma “excelente química”. Sorridente, Trump acrescentou: “Pareceu um homem muito agradável. Eu gostei dele, ele gostou de mim, e eu só faço negócios com pessoas de quem gosto”. O republicano afirmou ainda que, nesse breve contato, os dois concordaram em se reunir na próxima semana, mas não deu detalhes sobre o local ou a pauta.
Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que a conversa entre Lula e Trump deve acontecer na próxima semana, mas provavelmente por vídeo ou telefonema. “O presidente Lula está sempre pronto para conversar com qualquer chefe de Estado que seja do interesse do Brasil e, neste caso, isso pode acontecer também por um telefonema ou videoconferência”, afirmou Vieira.







