Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Flávio Bolsonaro e Novo acionam TSE contra desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula

Oposição aponta propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder após apresentação na Marquês de Sapucaí que retratou a trajetória política do presidente e reacende disputa judicial em ano eleitoral
Foto: Alex Ferro/ Riotur

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o partido Novo anunciaram que vão acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, neste domingo (15/02). Segundo a oposição, a apresentação configura propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político e econômico. Nas redes sociais, Flávio, que é pré-candidato à Presidência, afirmou que a ação será protocolada “rapidamente no TSE” e classificou o desfile como “crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público”. Em tom eleitoral, declarou: “Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família! Vamos vencer o mal com o bem!”.

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Além disso, o partido Novo divulgou nota em que reforça a acusação de propaganda antecipada e informou que pedirá a inelegibilidade de Lula. De acordo com a legenda, o desfile teria representado “abuso de poder político e econômico” e funcionado como “uma peça de propaganda do regime Lula, financiada com o seu dinheiro”. Outros parlamentares também se manifestaram. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que, se o desfile tivesse ocorrido em 2022, “Bolsonaro estaria preso, com busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia”.

A Acadêmicos de Niterói apresentou o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que marcou a estreia da escola no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A proposta foi contar a trajetória política e pessoal de Lula, desde a infância em Garanhuns (PE), a saída do Nordeste e a atuação como metalúrgico no ABC paulista, até a liderança sindical e as campanhas presidenciais. O samba-enredo percorreu ainda o retorno ao Palácio do Planalto, eleito três vezes pelo Partido dos Trabalhadores (PT), além de destacar episódios como greves operárias, programas sociais e momentos ligados à prisão e à posterior anulação das condenações que o impediram de disputar as eleições de 2018, vencidas por Jair Bolsonaro (PL).

Durante o desfile, uma alegoria encenou o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT). Na sequência, o então vice-presidente Michel Temer (MDB) aparecia tomando a faixa presidencial, seguida pela prisão de Lula. Depois, a faixa era entregue ao personagem “Bozo”, em possível referência a Bolsonaro. Em outro momento, o ex-presidente foi retratado na figura do palhaço Bozo, atrás de grades e com tornozeleira eletrônica, em referência à prisão por condenação relacionada à tentativa de golpe. A apresentação combinou esses episódios com elementos simbólicos ligados à ideia de reconstrução nacional, com destaque para a comissão de frente e alas coreografadas que representaram momentos recentes da política brasileira.

Jair Bolsonaro foi retratado como o palhaço Bozo
Foto: Luiza Monteiro/ Riotur

Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e de ministros. Em determinado momento, desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola e deixou o local de madrugada, sem dar declarações. Antes mesmo da apresentação, partidos de oposição tentaram barrar o enredo na Justiça Eleitoral sob a alegação de campanha antecipada. No entanto, por unanimidade, o TSE negou dois pedidos de liminar apresentados pelo Novo e pelo partido Missão, ao entender que não havia, naquele momento, elementos concretos que caracterizassem propaganda eleitoral irregular.

Nos bastidores, o episódio ocorreu em meio a um clima de cautela no governo. A Comissão de Ética da Presidência da República divulgou orientações sobre a participação de autoridades federais em eventos de Carnaval, a fim de garantir o cumprimento das normas administrativas e eleitorais e evitar questionamentos futuros. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que havia sido anunciada como integrante de um dos carros alegóricos, desistiu de desfilar. Em nota, afirmou que, apesar de haver “segurança jurídica” para sua participação, optou por não entrar na avenida diante da possibilidade de “perseguição” à escola e ao presidente. Mesmo após a decisão anterior do TSE, a oposição informou que pretende ampliar a ofensiva judicial contra o desfile, reacendendo o debate sobre os limites entre manifestação cultural e promoção política em ano eleitoral. As eleições estão marcadas para 4 de outubro.