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Hospitais filantrópicos que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Belo Horizonte alertam para um colapso assistencial causado pela falta de repasses da prefeitura. Segundo as instituições, os atrasos comprometem diretamente o atendimento à população e já afetam unidades como a Santa Casa, Hospital Sofia Feldman, Hospital São Francisco, Hospital da Baleia, Hospital Mário Penna, Hospital Universitário Ciências Médicas e Hospital Risoleta Tolentino Neves. Desde dezembro de 2025, os hospitais vêm denunciando a inadimplência do município, que inicialmente somava R$ 50 milhões e, no início deste ano, foi atualizada para R$ 100 milhões.
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De acordo com os representantes, a situação se agravou porque a prefeitura estaria utilizando recursos enviados pelo Ministério da Saúde para quitar dívidas antigas, prática chamada de “pedaladas”, o que empurra os repasses dos meses seguintes. Como consequência, nesta quarta-feira (28/01), as unidades relataram falta de previsibilidade financeira, interrupção no fornecimento de insumos, endividamento emergencial e, além disso, a necessidade de limitar novas internações para garantir a segurança dos pacientes.
“Os hospitais já ultrapassaram seu limite operacional. Há dificuldades para cumprir a folha salarial. Além disso, fornecedores e prestadores de serviços também estão financeiramente estrangulados, o que compromete os estoques de medicamentos e insumos essenciais. Essas limitações impõem a redução da capacidade de atendimento ao SUS de alguns dos hospitais”, informou a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas).
Ainda segundo os dirigentes, em reunião realizada no dia 7 de janeiro, a prefeitura se comprometeu a montar um cronograma para regularizar os repasses, no entanto, a promessa não teria sido cumprida. “Estamos com R$ 96 milhões em aberto dessas sete instituições e chegaremos, até sexta-feira, se não houver mais pagamentos, ao valor total de aproximadamente R$ 148 milhões, ou seja, pior do que nós terminamos 2025”, disse a advogada Kátia Rocha, presidente da Federassantas.
Por outro lado, a Prefeitura de Belo Horizonte afirma que está honrando o acordo firmado com os hospitais. Em nota, o Executivo municipal informou que “o que foi definido entre o município e os representantes dos hospitais permanece e está sendo honrado” e que, apenas em janeiro, foram repassados R$ 177.146.934,75 às instituições. Ainda assim, a Federassantas argumenta que esse valor corresponde a apenas metade do montante que deveria ter sido transferido no período.







