Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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União Europeia aprova acordo Mercosul

Decisão abre caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo, apesar da resistência de países europeus e de protestos de agricultores
Foto: Bandeiras UE-Mercosul/ Blog Contee

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A União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul, passo que viabiliza a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A decisão foi confirmada pelo Chipre, país que ocupa a presidência rotativa do bloco europeu. Além disso, a expectativa, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, é que o Mercosul assine oficialmente o acordo com a UE em 17 de janeiro. Desde já, o avanço do tratado é visto como estratégico para ampliar o comércio entre os blocos, apesar das resistências internas que ainda cercam o tema.

De acordo com representantes da União Europeia, uma ampla maioria dos Estados-membros apoiou o acordo de livre comércio com o Mercosul. Os países tinham prazo até as 17h, no horário de Bruxelas, para enviar seus votos por escrito, sendo que, mais cedo, os embaixadores dos 27 países já haviam sinalizado apoio provisório. Para que a aprovação fosse confirmada, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população do bloco. Agora, embora a decisão abra caminho para a assinatura do texto, o tratado ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

Segundo um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia, 21 países votaram a favor do acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, além da Bélgica, que se absteve. Mesmo com apoio relevante de setores empresariais e industriais, o texto segue enfrentando forte resistência, sobretudo de agricultores europeus, principalmente na França, que apontam possíveis impactos negativos para o setor agrícola com a entrada de produtos sul-americanos.

Na França, o governo foi alvo de críticas de rivais políticos e de protestos de agricultores por não conseguir barrar a aprovação do tratado. Partidos como a França Insubmissa e o Reunião Nacional anunciaram moções contra o presidente da Comissão Europeia, embora seja considerada improvável a derrubada do governo. Na véspera da votação, o presidente Emmanuel Macron reafirmou o voto contrário de Paris ao acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, afirmou. A Irlanda também votou contra, e o primeiro-ministro Simon Harris declarou: “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”. Tanto França quanto Irlanda registram protestos relacionados ao tratado.