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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (02/01) que pode ajudar manifestantes no Irã caso forças de segurança do governo iraniano atirem contra protestos pacíficos. A declaração ocorre cinco dias após o início das manifestações, que já registraram mortes ainda sem número confirmado e representam a maior onda de protestos no país nos últimos três anos.
Em uma publicação nas redes sociais, Trump escreveu: “Se o Irã atira e mata violentamente manifestantes pacíficos, o que praxe deles, os Estados Unidos irão em seu resgate. Estamos prontos e carregados para agir”. A fala ocorre em um contexto já sensível, já que os EUA atacaram instalações nucleares iranianas em junho do ano passado, ao se unirem a uma campanha aérea israelense contra o programa nuclear de Teerã e sua liderança militar.
Após as ameaças, o governo iraniano reagiu e afirmou que “rejeitará veementemente qualquer interferência em seus assuntos internos”. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, escreveu no X que as “poderosas” Forças Armadas do Irã estão em prontidão e que o Exército “sabe exatamente onde mirar” em caso de violação da soberania nacional. Segundo ele, a população tem o direito de se manifestar pacificamente diante da volatilidade das taxas de câmbio, mas o governo enfrenta episódios isolados de violência, como ataques a uma delegacia e o uso de coquetéis molotov contra policiais.
A resposta iraniana se soma às declarações do presidente do Parlamento, Ali Larijani, que alertou que qualquer interferência dos Estados Unidos pode gerar “caos em toda a região”, citando o apoio do Irã a grupos no Líbano, Iraque e Iêmen. “O povo americano deve saber que Trump iniciou o aventureirismo. Eles devem vigiar seus soldados”, afirmou. Já Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo Ali Khamenei, escreveu no X: “Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será exposta a uma resposta. A segurança do Irã é uma linha vermelha.”
Enquanto isso, autoridades locais no oeste do Irã, onde há relatos de várias mortes, reforçaram o discurso de repressão, afirmando que reuniões consideradas ilegais serão enfrentadas de forma dura. Ao mesmo tempo, organizações de direitos humanos dizem que forças de segurança atiraram contra manifestantes. Os protestos atuais são os maiores desde o fim de 2022, quando manifestações após a morte de uma jovem sob custódia mobilizaram o país e deixaram centenas de mortos, segundo esses grupos. Em contraste com o tom mais duro de outros líderes, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian adotou uma postura conciliatória antes das ameaças de Trump. Ele prometeu diálogo com representantes dos protestos e reconheceu falhas do próprio governo diante da crise do custo de vida. “A culpa é nossa. Não procurem a América ou qualquer outro para culpar. Devemos servir adequadamente para que as pessoas fiquem satisfeitas conosco. Somos nós que temos que encontrar uma solução para esses problemas”, disse. O governo tenta avançar com um programa de liberalização econômica, mas a desregulamentação de algumas trocas de moeda contribuiu para a forte desvalorização do rial iraniano no mercado não oficial.







