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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em meio ao processo de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo reportagem do jornal O Globo, Moraes chegou a ligar seis vezes no mesmo dia para Galípolo para tratar do tema. Ainda de acordo com a apuração, essas ligações fazem parte de ao menos cinco conversas entre o ministro e o presidente do Banco Central, algumas por telefone e uma presencial, informação confirmada também pelo Estadão. As conversas teriam ocorrido quando a venda do Banco Master ao BRB já havia sido anunciada, mas ainda dependia de autorização da autoridade monetária.
Conforme revelou O Globo, Alexandre de Moraes teria feito três contatos telefônicos e participado de um encontro presencial com Gabriel Galípolo, o que levantou suspeitas de pressão em favor do Banco Master. Já o Estadão apontou a existência de pelo menos cinco conversas, incluindo uma reunião presencial. Em uma dessas interações, segundo a apuração, o ministro teria solicitado que o Banco Central aprovasse a operação entre o BRB e o Banco Master, que estava sob análise técnica do órgão regulador.
Ainda segundo as reportagens, o Banco Master firmou, em janeiro do ano passado, um contrato com o escritório Barci de Moraes Associados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa a atuação do escritório na defesa dos interesses do banco e de seu controlador, Daniel Vorcaro, junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional. O contrato estipulava o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês durante três anos, o que poderia totalizar cerca de R$ 129 milhões até o início de 2027, caso fosse integralmente cumprido.
Em notas divulgadas, Alexandre de Moraes afirmou que todas as reuniões trataram “exclusivamente” das consequências da aplicação da Lei Magnitsky, após sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, e negou qualquer pressão relacionada à venda do Banco Master ao BRB. O Banco Central também informou que os encontros abordaram as sanções econômicas, sem usar o termo “exclusivamente”. Em comunicado mais recente, divulgado na noite de terça-feira, 23, o ministro detalhou datas de dois encontros presenciais, ocorridos em 14 de agosto e 30 de setembro, ambos em seu gabinete, e reiterou que não houve conversas telefônicas nem atuação do escritório de sua esposa na operação de aquisição BRB-Master junto ao Banco Central.







