Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Cometa interestelar 3I/Atlas emite sinal de rádio e revela caudas duplas misteriosas

Descoberto em julho de 2025, o 3I/Atlas surpreende astrônomos ao enviar o primeiro sinal de rádio já detectado de um objeto interestelar e exibir duas caudas distintas, levantando novas hipóteses sobre sua origem e composição.
Cometa interestelar 3I/Atlas emite sinal de rádio e revela caudas duplas
Cometa interestelar 3I/Atlas emite sinal de rádio e revela caudas duplas - Foto: Michael Jäger & Gerald Rhemann/Observatório Aéreo de Martinsberg via Spaceweather.com

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O cometa interestelar 3I/Atlas continua intrigando a comunidade científica com descobertas cada vez mais surpreendentes. Após sua detecção em julho de 2025, o cometa emitiu um sinal de rádio captado na Terra no dia 24 de outubro, que foi divulgado no último fim de semana. O registro foi feito pelo radiotelescópio MeerKAT, localizado na África do Sul, e marcou um feito histórico: foi a primeira vez que cientistas conseguiram captar sinais de rádio vindos de um objeto interestelar. O sinal revelou linhas de absorção de rádio de radicais de hidroxila, uma substância derivada da sublimação do gelo, com frequências de 1,665 GHz e 1,667 GHz, o que indica a presença de gelo no núcleo do cometa. Essa característica sugere que o 3I/Atlas se originou em uma região extremamente fria da Via Láctea, reforçando o interesse em estudar sua composição e comportamento.

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A radioastronomia, prática usada para “ouvir” o Universo por meio de ondas eletromagnéticas, permite que os cientistas detectem fenômenos invisíveis aos telescópios ópticos. Ao traduzir essas ondas, é possível compreender campos magnéticos, o clima espacial e até a origem do Universo. No caso do 3I/Atlas, o sinal captado comprova que, ao se aproximar do Sol, parte do gelo de seu núcleo passou por sublimação (transição direta do estado sólido para o gasoso), o que explica a mudança de coloração observada após o periélio, quando o cometa apareceu com tons azulados. A descoberta também reacendeu teorias conspiratórias sobre o corpo celeste, com especulações nas redes sociais de que o objeto poderia ser uma nave alienígena, embora não haja nenhuma evidência científica que confirme essa hipótese.

Além do sinal de rádio, uma nova imagem capturada em 9 de novembro de 2025 pelo Observatório PixelSkies, na Espanha, revelou outro fenômeno marcante: o 3I/Atlas exibe duas caudas distintas, sendo uma voltada para trás e uma anti-cauda direcionada ao Sol. Essa estrutura dupla chama atenção por fugir ao padrão dos cometas comuns. Especialistas estão analisando os dados para descobrir se se trata de um fenômeno natural raro ou se a formação pode estar relacionada às condições do meio interestelar. As imagens foram obtidas por meio de exposições múltiplas, que evidenciaram os jatos de poeira e gás que compõem as caudas. A anti-cauda, segundo os astrônomos, surge devido à perspectiva da Terra, criando a ilusão de que aponta em direção ao Sol. Os jatos de dióxido de carbono parecem impulsionar a estrutura dupla, semelhante ao comportamento de cometas ricos em monóxido de carbono, embora o 3I/Atlas apresente características únicas.

Outra hipótese levantada por pesquisadores sugere que o cometa passou bilhões de anos sendo bombardeado por raios cósmicos de alta energia, o que modificou completamente sua superfície e apagou traços da composição original. Essa teoria indica que o material visível hoje não representa mais o núcleo primordial do sistema estelar de origem, mas sim uma camada externa remodelada pela radiação. Essa descoberta pode mudar a visão científica de que objetos interestelares são relíquias intactas do cosmos, e reforça que eles sofrem alterações profundas ao longo de sua jornada entre as estrelas.

Com velocidade estimada em 58 km/s, o 3I/Atlas apresenta caudas complexas e uma estrutura densa. Estudos do Telescópio Hubble calculam que o núcleo do cometa tenha entre 5 e 11 quilômetros de diâmetro, com uma massa maior do que o esperado, de acordo com a densidade da anti-cauda. A coma, região gasosa ao redor do núcleo, contém vapor de água e dióxido de carbono, enquanto a radiação cósmica parece ter removido parte do hidrogênio superficial. As imagens processadas mostram que a densidade do material ao redor do cometa é um milhão de vezes superior ao vento solar, o que reforça a hipótese de um núcleo massivo e complexo. Para os astrônomos, o 3I/Atlas pode funcionar como uma cápsula do tempo, oferecendo pistas sobre a formação de sistemas planetários e a origem da vida em diferentes regiões da galáxia.