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O uso de paracetamol na gravidez voltou a ser tema de debate depois que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que o medicamento poderia estar ligado ao desenvolvimento do transtorno do espectro autista (TEA) em crianças. A fala ganhou repercussão também no Brasil e levantou dúvidas sobre a segurança do remédio mais popular para dor e febre. No entanto, especialistas e órgãos de saúde reforçam que não existem evidências científicas que comprovem essa relação.
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A Anvisa informou em nota que não há registro de associação entre o uso de paracetamol por gestantes e casos de autismo no país. O órgão destacou ainda que a liberação de medicamentos no Brasil segue critérios rigorosos de eficácia, segurança e qualidade, e que o fármaco, considerado de baixo risco, continua sob monitoramento constante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também reiterou que não há provas conclusivas ligando o uso do paracetamol durante a gestação ao TEA. Já a Agência Europeia de Medicamentos reforçou que não existem motivos para mudar as recomendações atuais sobre o uso da substância.
Nos Estados Unidos, a FDA, agência equivalente à Anvisa, informou que avalia mudanças na bula e chegou a emitir alertas para médicos. Apesar disso, estudos robustos não confirmaram o risco. Um levantamento realizado na Suécia, com mais de 2,5 milhões de crianças, concluiu que não houve associação significativa entre o consumo de paracetamol na gravidez e o diagnóstico de TEA, especialmente após ajustes para variáveis ambientais e familiares.
Pesquisadores destacam que estudos observacionais iniciais chegaram a levantar essa hipótese, mas apresentaram falhas metodológicas. Condições como febre e infecções, para as quais o paracetamol é prescrito, também podem interferir no desenvolvimento neurológico, funcionando como fatores de confusão. Além disso, existe o chamado viés de recordação, quando participantes de pesquisas relatam de forma imprecisa exposições passadas, o que compromete os resultados.
“É comum surgirem tentativas de simplificar algo tão complexo como o autismo. Atribuir a condição a um único fator ou a um suposto tratamento milagroso desvia o foco do que realmente importa: terapias, inclusão e acolhimento”, explica o neuropediatra Antonio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe.







