Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Medicamento brasileiro à base de placenta devolve mobilidade a pessoas tetraplégicas

Fármaco experimental da UFRJ permitiu que pacientes voltassem a se mover após lesões graves na medula
Medicamento experimental brasileiro devolve mobilidade a pessoas tetraplégicas
Medicamento experimental brasileiro devolve mobilidade a pessoas tetraplégicas

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Um medicamento experimental desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o laboratório Cristália vem chamando atenção da comunidade científica. Derivado da placenta humana, o fármaco conseguiu devolver mobilidade a pessoas com lesões graves na medula espinhal, incluindo casos de tetraplegia. O tratamento utiliza a laminina, molécula extraída desse órgão temporário e geralmente descartado após o parto, e apresentou resultados considerados promissores, embora ainda aguarde a aprovação da Anvisa para avançar nos testes clínicos.

Desde 2018, seis pacientes receberam o medicamento, chamado Polaminina, diretamente na medula dentro de até seis dias após a lesão. Todos eram classificados como nível A, condição em que há perda total dos movimentos e da sensibilidade. Após o tratamento, cinco deles alcançaram o nível C, recuperando parte da força e dos movimentos. Um dos casos mais emblemáticos é o de Bruno Drummond, que ficou tetraplégico após um acidente de trânsito. Pouco tempo depois da aplicação, ele voltou a movimentar o dedão do pé e, com fisioterapia intensiva, recuperou grande parte da mobilidade ao longo de um ano.

A substância atua com efeito duplo: protege neurônios já existentes e estimula a regeneração de novas células. Essa descoberta é fruto de 25 anos de estudos da professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, que ressalta o potencial da laminina como aliada na reabilitação de pacientes. Segundo ela, o tempo entre a lesão e a aplicação do medicamento é crucial, já que quanto mais rápido o tratamento é iniciado, melhores são os resultados observados.

Além dos casos agudos, o medicamento também vem sendo estudado em pacientes crônicos, com lesões antigas. Apesar de os resultados serem mais limitados nesse grupo, houve avanços relevantes, como o de Hawanna Cruz, que após anos tetraplégica conseguiu dirigir sua cadeira de rodas e até integrar a seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas. No entanto, os pesquisadores reforçam que muitas questões ainda precisam ser respondidas, como o efeito de doses maiores ou aplicações repetidas.

Atualmente, o Polaminina ainda não passou pelas etapas oficiais de validação e depende de autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 dos ensaios clínicos. Essa fase inicial é fundamental para comprovar a segurança do medicamento em humanos e abrir caminho para novos estudos que possam transformar a descoberta em tratamento acessível.