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Após mais de 47 horas de ocupação no Plenário do Senado, a oposição decidiu desocupar a Mesa Diretora nesta quinta-feira (07/08), encerrando o impasse que travava os trabalhos legislativos desde o início da semana. A decisão ocorreu pouco antes da sessão deliberativa marcada pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) para esta manhã. O espaço foi liberado após reuniões entre senadores do grupo e um encontro com Alcolumbre, ocorrido na noite de quarta (6). A ocupação havia sido motivada pela exigência do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o mesmo decretar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a liberação do espaço, o presidente deu início à sessão e os trabalhos legislativos foram retomados. Apesar da trégua, a oposição sinalizou que continuará pressionando. Parlamentares aliados de Bolsonaro anunciaram ter reunido as 41 assinaturas necessárias para a admissibilidade do processo de impeachment contra Moraes. No entanto, em uma reunião com líderes da base do governo e da oposição, Alcolumbre foi enfático ao rechaçar qualquer possibilidade de avanço no tema: “Nem se tiver 81 assinaturas, ainda assim não pauto impeachment de ministro do STF para votar.” O senador fez a declaração em tom elevado, afirmando que não cederá a pressões políticas e que o poder de definir a pauta da Casa seguirá sob sua autoridade.
A trégua entre os blocos foi costurada com a aprovação relâmpago do Projeto de Lei 2.692/2025, que isenta do Imposto de Renda os brasileiros que recebem até dois salários mínimos. A proposta, considerada um avanço social, segue agora para sanção presidencial. A negociação envolveu temas econômicos, mas Davi Alcolumbre fez questão de deixar claro que não abrirá espaço para barganhas políticas envolvendo a pauta do Supremo. “A democracia se faz com diálogo, mas também com responsabilidade e firmeza”, destacou.
Além do pedido contra Moraes, a oposição cobra que o Senado se manifeste em relação às medidas cautelares impostas contra o senador Marcos do Val (Podemos-ES). As medidas incluem o bloqueio de salário, verba de gabinete e a proibição de uso das redes sociais. Por determinação de Alcolumbre, a Advocacia do Senado irá acionar o STF para solicitar a reconsideração dessas restrições. Os oposicionistas também seguem pressionando pela votação de dois projetos que estão na Câmara dos Deputados: o que propõe anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e o que prevê o fim do foro privilegiado.







