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Desde fevereiro, a Indonésia enfrenta uma onda de protestos conhecida como #IndonesiaGelap (“Indonésia Escura”), marcada pela insatisfação popular com cortes sociais, aumento do poder militar e restrições às liberdades democráticas. Em meio às manifestações que começaram em Jacarta e se espalharam por todo o país, um símbolo inusitado chamou a atenção: a bandeira do anime One Piece. A famosa Jolly Roger com chapéu de palha, usada no navio do personagem Luffy, passou a ser empunhada por manifestantes como emblema da luta contra sistemas opressores.
A presença da bandeira se intensificou especialmente às vésperas do Dia da Independência da Indonésia, comemorado em 17 de agosto. Jovens, estudantes, sindicatos e diversos grupos da sociedade civil têm usado o símbolo de One Piece como uma forma de protesto pacífico. Inspirado no universo criado por Eiichiro Oda, o emblema ecoa os ideais de liberdade e rebeldia do anime, tornando-se um ícone entre os manifestantes que defendem as conquistas democráticas das últimas décadas no país.

Além da capital, os protestos já se espalharam por dezenas de cidades indonésias e até ultrapassaram fronteiras. Comunidades indonésias na Austrália, Alemanha e Estados Unidos também organizaram atos de solidariedade, demonstrando apoio ao movimento que denuncia retrocessos nas políticas sociais e democráticas do governo. Em todas essas mobilizações, a bandeira do chapéu de palha é um ponto em comum.
No entanto, o governo reagiu com dureza. Autoridades classificaram o uso da bandeira do anime como um “ato subversivo” e sugeriram que poderia até mesmo configurar crime de traição nacional. O vice-presidente da Câmara e membro do Partido Gerindra, Sufmi Dasco Ahmad, afirmou que o hasteamento da bandeira faz parte de um “movimento sistemático” que busca minar a unidade nacional. “Isso não é uma coincidência. Há uma tentativa coordenada de dividir a nação”, disse Dasco, acrescentando que o país deve permanecer unido e reagir a essas ações.
“Nem todos querem que a Indonésia avance. À medida que crescemos, sempre haverá aqueles que se opõem. Vamos nos unir e reagir”, completou o político. Segundo ele, ainda não está claro se o movimento partiu de cidadãos locais ou de estrangeiros, mas ele acredita que há pessoas incomodadas com o que chamou de “progresso da Indonésia”.







