Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Pai mata a filha após ela se recusar a deletar conta no TikTok

No Paquistão, meninas que usam redes sociais enfrentam resistência de setores conservadores e riscos dentro da própria família
Pai mata filha após ela se recusar a deletar conta no TikTok
Pai mata filha após ela se recusar a deletar conta no TikTok

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Um homem paquistanês matou a própria filha de 16 anos a tiros depois que ela se recusou a excluir sua conta no TikTok. O crime ocorreu na última terça-feira (08/07) na cidade de Rawalpindi, e foi registrado pela polícia como um crime de “honra”. O caso escancara a realidade de muitas jovens no Paquistão, onde o uso das redes sociais por meninas e mulheres ainda enfrenta forte resistência de setores conservadores.

De acordo com um porta-voz da polícia local, o pai exigiu que a adolescente deixasse o TikTok, e, diante da recusa, efetuou os disparos. Inicialmente, a família tentou encobrir o crime, alegando que se tratava de um suicídio, mas a investigação revelou a verdade.

O TikTok é extremamente popular no Paquistão, especialmente entre os jovens, devido à sua interface acessível e ao fato de ser gratuito. Mesmo assim, as autoridades locais frequentemente bloqueiam ou ameaçam proibir o aplicativo, alegando que ele promove “comportamentos imorais”. Em um país com baixos níveis de alfabetização, o aplicativo se tornou uma importante ferramenta de expressão, especialmente para mulheres que encontram ali oportunidades de renda e visibilidade.

Entretanto, a desigualdade digital entre gêneros é gritante: apenas 30% das mulheres no país têm acesso a um smartphone, contra 58% dos homens, de acordo com o relatório Mobile Gender Gap de 2025. Essa disparidade, a maior do mundo, mostra como o acesso à internet também é um campo de disputa por liberdade e autonomia feminina.

Casos como esse não são isolados. No Baluchistão, região sudoeste onde leis tribais ainda prevalecem em muitas áreas, um homem confessou neste ano ter instigado o assassinato da própria filha, de 14 anos, após a publicação de vídeos no TikTok. Ambos os casos reforçam o quanto o controle sobre o comportamento feminino segue sendo exercido por meio da violência, inclusive dentro da própria família.