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O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido nas redes sociais como “prefeito tiktoker”, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que aponta o uso de R$ 183 mil em dinheiro vivo na compra de uma casa de alto padrão em um condomínio fechado na zona leste da cidade. Segundo a PF, a quantia foi usada como entrada do imóvel, avaliado em R$ 1,5 milhão, com o restante quitado por meio de financiamento. A compra foi uma das descobertas feitas durante a operação “Copia e Cola”, deflagrada no dia 10 de abril, que investiga o desvio de verbas públicas da saúde. O imóvel adquirido pelo prefeito foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Além disso, a PF também investiga a primeira-dama, Sirlange Maganhato. Com a quebra de sigilo bancário da empresa dela, autorizada pela Justiça, os investigadores identificaram repasses no valor de R$ 750 mil, ao longo de dois anos, vindos da igreja “Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus”, administrada pela irmã de Sirlange, a pastora Simone Rodrigues Frate Souza, e seu marido, o pastor Josivaldo Batista de Souza. Segundo o relatório da PF, as transações financeiras eram realizadas majoritariamente por boletos, o que, segundo os investigadores, dificultava a rastreabilidade dos valores e pode indicar tentativa de ocultação de origem dos recursos.
A suspeita de lavagem de dinheiro também recai sobre a atuação do empresário Marco Silva Mott, apontado como operador financeiro do prefeito e da primeira-dama. Segundo a PF, ele teria comprado diversos imóveis — incluindo salas comerciais e residências — utilizando táticas de subavaliação nos registros oficiais. Um dos exemplos citados foi uma casa que teve escritura registrada por R$ 450 mil, mas cujo pagamento real ultrapassou R$ 1 milhão. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região autorizou a operação com base nessas informações. A PF ainda apontou que a movimentação financeira da empresa de Mott revela depósitos em dinheiro vivo que somam mais de R$ 6 milhões, todos sem origem comprovada.
As relações pessoais entre Manga e Mott, amigo de infância do prefeito, também foram expostas na investigação. Em postagens nas redes sociais, os dois aparecem juntos em chamadas de vídeo, como uma que ficou conhecida como “ligação de vídeo de milhões”. Para os investigadores, essa amizade pode ter sido usada como cortina de fumaça para encobrir crimes como corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, principalmente envolvendo recursos da saúde municipal. A empresa ligada a Mott também teria atuado em operações semelhantes no mesmo condomínio onde o prefeito comprou seu imóvel.
Por meio de seus advogados, o prefeito Rodrigo Manga e a primeira-dama Sirlange Maganhato afirmaram “que seus nomes foram mencionados nessa investigação de forma indevida e em nítida perseguição política”.







