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A Justiça de Minas Gerais determinou que o governo do estado apresente, em até 15 dias, um plano de intervenção para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, após uma sequência de mortes e denúncias de superlotação e condições precárias na unidade. Além disso, a decisão judicial, tomada na última sexta-feira (13/03), também impõe medidas emergenciais a serem cumpridas em até 48 horas. O caso ganhou repercussão porque, em menos de um mês, quatro detentos morreram no local, o que acendeu o alerta sobre a situação do sistema prisional em Belo Horizonte.
O caso mais recente ocorreu no sábado (14), quando Nilson Lemes Carvalho, de 49 anos, foi encontrado morto dentro de uma cela, apenas uma semana após dar entrada na unidade. Antes disso, entre os dias 26 e 27 de fevereiro, outros três presos já haviam sido encontrados mortos no presídio. Além dessas ocorrências, um homem morreu baleado na noite de segunda-feira (16), logo após deixar o local. Diante desse cenário, a sucessão de mortes intensificou as cobranças por providências imediatas.
De acordo com a decisão da Justiça, o Ceresp Gameleira enfrenta superlotação crítica e uma série de falhas estruturais. Segundo inspeção realizada por órgãos de controle, a unidade opera com ocupação de 234% da capacidade. Ao mesmo tempo, foram constatadas celas sem fornecimento regular de água, energia e itens básicos, além de problemas como esgoto a céu aberto, acúmulo de lixo e infestação de pragas. Também há registros de doenças entre os detentos, como sarna e infecções de pele, o que agrava ainda mais a situação sanitária.
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Além disso, o documento aponta falta de atendimento médico adequado e de medicação, bem como restrições ao banho de sol e dificuldades de espaço, que obrigam presos a se revezarem para dormir. Nesse contexto, a Justiça classificou o cenário como um risco concreto à integridade física e à dignidade dos custodiados e servidores, destacando a gravidade das condições encontradas na unidade prisional.
Diante disso, foi determinada a desocupação de celas em condições inadequadas, a garantia de fornecimento de água e energia, o atendimento médico aos detentos e a distribuição de itens essenciais, além da limpeza das instalações. Paralelamente, o Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais pediu a interdição da unidade, alegando que o presídio, projetado para cerca de 600 detentos, atualmente abriga mais de 1.900. Já a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que as unidades são fiscalizadas regularmente e que todas as mortes passam por investigação administrativa e apuração criminal.







