Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Primeiro porco clonado no Brasil impulsiona avanço no xenotransplante e pode reduzir fila de transplantes

Conquista da USP abre caminho para produção de órgãos mais compatíveis com humanos e acelera pesquisas que podem beneficiar milhares de pacientes no país
Primeiro porco clonado no Brasil para transplantes
Primeiro porco clonado no Brasil para transplantes - Foto: Divulgação

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A clonagem do primeiro porco no Brasil, realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), marca um avanço importante para o xenotransplante, técnica que pode ajudar a reduzir a fila de transplantes no país. O animal, que nasceu saudável com 2,5 kg no Instituto de Zootecnia, em Piracicaba, integra um projeto voltado à produção de órgãos compatíveis com humanos. Atualmente, cerca de 48 mil brasileiros aguardam por transplantes, o que reforça a relevância da pesquisa.

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Além disso, o estudo faz parte das ações do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP, idealizado pelo professor Silvano Raia. O xenotransplante consiste na transferência de órgãos entre espécies diferentes e, nesse contexto, os porcos são considerados ideais, já que possuem órgãos semelhantes aos humanos. No entanto, embora as primeiras tentativas tenham começado na década de 1960, os estudos foram interrompidos devido à rejeição aguda dos pacientes.

Com o avanço da ciência, porém, os pesquisadores conseguiram identificar três genes responsáveis por essa rejeição e aprenderam a desativá-los. Ao mesmo tempo, a equipe passou a inserir sete genes humanos nos óvulos dos suínos, aumentando significativamente a compatibilidade dos órgãos. Esse processo, portanto, representa um passo essencial para tornar os transplantes mais seguros no futuro.

Desde 2022, o laboratório da USP já domina a técnica de modificação genética das células. Ainda assim, a etapa seguinte exigiu um desafio maior: a clonagem dos porcos. Depois de diversas tentativas, os cientistas conseguiram levar a gestação até o fim, utilizando, até o momento, animais sem alteração genética. Dessa forma, o domínio da produção em escala desses animais se torna fundamental para reduzir o tempo de espera por órgãos.

Agora, o próximo passo será clonar embriões geneticamente modificados, o que permitirá o início dos estudos voltados ao transplante em humanos. Segundo o coordenador da pesquisa, Jorge Kalil, o avanço é significativo, mas ainda há incertezas. “Nós não sabemos tudo. É só fazendo os transplantes, estudando muito o que vai ser feito, é que nós vamos descobrir algumas nuances que nós vamos poder melhorar. E é muito importante que a gente faça isso aqui no nosso país, porque o preço da importação de um órgão desses vai ser impossível. E nós queremos atender o SUS, nós queremos atender a população brasileira”, afirmou.