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O número de mortos por causa das fortes chuvas na Zona da Mata Mineira chegou a 62, segundo atualização do Corpo de Bombeiros desta sexta-feira (27/02). As ocorrências se concentram principalmente em Juiz de Fora e Ubá, onde as equipes seguem em buscas por sete pessoas desaparecidas, além de atuar na desobstrução de vias e no atendimento às áreas mais atingidas. Do total de mortes confirmadas, 56 foram registradas em Juiz de Fora e 6 em Ubá, cidades castigadas por deslizamentos e alagamentos.
Enquanto isso, os bombeiros trabalham com nove frentes de atuação na região, sendo sete em Juiz de Fora e duas em Ubá. Além das vítimas fatais e dos desaparecidos, o impacto social também é grave. Mais de 4.600 pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas, passando a depender de abrigos públicos ou do apoio de parentes e amigos, o que amplia a pressão sobre os serviços municipais.
Diante da tragédia, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, esteve em Ubá nesta quarta-feira (25). Questionado sobre investimentos em prevenção de desastres, ele negou cortes na área e afirmou que o estado mantém ações preventivas. “Fornecemos praticamente um kit de defesa civil para cada município. Só nessa questão nós aplicamos mais de R$ 70 milhões, mais de 600 municípios foram beneficiados com esse kit”, disse. Segundo o governador, o abastecimento de água já supera 90% e a energia elétrica está com mais de 99% do serviço restabelecido.
Durante a visita, no entanto, houve protesto de moradores. Uma mulher, que não foi identificada, interrompeu a entrevista e cobrou ações imediatas diante da situação enfrentada pela população. “Não adianta! Não tem um caminhão-pipa, não tem nada! Não adianta! Vem bonitinho, limpinho aqui fazer política? Aqui não!”, afirmou. Em outro momento, ela reforçou: “Agora político vir na hora não adianta não! A gente precisa de máquina, caminhão-pipa para lavar! Olha a bagunça que está isso aqui! É isso que a gente precisa!”. O protesto foi gravado em vídeo e viralizou nas redes sociais.
Após a visita, Zema afirmou que o estado já iniciou a ajuda humanitária, com envio de colchões, kits de higiene e de limpeza para atender desalojados e desabrigados. Ele também informou que providencia um novo estoque para a farmácia pública local, que foi destruída. Em entrevista à CNN Brasil, o governador disse que não falou diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que mantém contato com equipes de ministérios do governo federal para acompanhar a situação na Zona da Mata.







