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O caso Banco Master no STF ganhou um novo relator. Após a saída de Dias Toffoli, o ministro André Mendonça foi sorteado para conduzir a investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição. A mudança ocorreu depois que a Polícia Federal encontrou menções a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de referências ao fundo Arleen, apontado nas apurações como ligado a Fabiano Zettel, cunhado do empresário. Diante das investigações que revelaram possíveis ligações do ministro com pessoas citadas no caso, o processo foi redistribuído no Supremo Tribunal Federal, e Mendonça passa a ser o responsável por conduzir o caso e elaborar o relatório para julgamento.
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A saída de Toffoli aconteceu após reunião com os demais ministros da Corte. Em nota conjunta, os dez integrantes do STF informaram que a decisão partiu do próprio magistrado. Além disso, os ministros declararam que não veem motivo para considerar Toffoli suspeito e reconheceram a plena validade dos atos praticados por ele enquanto esteve à frente do caso. “Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR”, afirmaram.
A redistribuição do caso ocorreu após a revelação de conversas entre Toffoli e Daniel Vorcaro e depois que vieram a público informações sobre a relação do ministro com o fundo Arleen. Conforme revelou o UOL, após a análise do material apreendido no celular do banqueiro, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, encaminhou novos pedidos de investigação ao presidente do STF, Edson Fachin. Além disso, investigações também citaram uma viagem feita por Toffoli em 29 de novembro para Lima, no Peru, onde assistiu à final da Libertadores. O ministro utilizou o jatinho do empresário Luiz Oswaldo Pastore, e no voo estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que representa um dos diretores do Banco Master. Segundo vídeo divulgado pelo Metrópoles, Pastore esteve com Toffoli no resort Tayayá em 2023.
- Leia mais: PF pede suspeição de Toffoli após encontrar menções ao ministro no celular do dono do Banco Master
Toffoli confirmou ser sócio da empresa Maridt, que foi uma das proprietárias do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Em 2021, a empresa vendeu sua participação ao fundo Arleen, que, segundo a investigação, teria sido utilizado para realizar pagamentos. De acordo com as apurações, o ministro teria recebido pelo menos R$ 20 milhões. Conversas entre Vorcaro e Zettel indicam que os repasses ao ministro teriam sido feitos por meio do fundo.
Nos bastidores do STF, a avaliação é que André Mendonça deve adotar uma postura rigorosa na condução das investigações, sem impor restrições ao trabalho da Polícia Federal. Apesar de ter perfil considerado legalista, a percepção entre colegas é de que ele não deve evitar o avanço de apurações sobre eventuais relações políticas envolvendo Daniel Vorcaro.







