Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Filho do último xá convoca ocupação de cidades durante protestos no Irã

Reza Pahlavi pede greve nacional, fala em retorno ao país e amplia tensão enquanto Exército promete proteger áreas estratégicas
Foto: Reuters

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Em meio aos maiores protestos em anos no Irã, o filho do último xá do país, Reza Pahlavi, pediu neste sábado (10/01) que os manifestantes avancem além dos atos de rua e passem a ocupar os centros das cidades. Em publicação na rede social X, ele afirmou que se prepara para retornar ao Irã e convocou trabalhadores de setores estratégicos, como transporte, petróleo, gás e energia, a aderirem a uma greve nacional, enquanto as manifestações se espalham pelo país.

“Nosso objetivo não é mais simplesmente ir às ruas; o objetivo é nos prepararmos para tomar o centro das cidades e mantê-lo sob nosso controle”, disse Pahlavi. Na mesma mensagem, ele declarou: “Me preparo para retornar à minha pátria e estar com vocês, a grande nação do Irã, quando nossa revolução nacional triunfar. Acredito que esse dia está muito próximo”. Embora alguns manifestantes tenham entoado slogans como “Viva o xá”, a maioria dos protestos tem focado no fim da teocracia e em medidas para enfrentar a crise econômica.

Enquanto isso, o Exército do Irã afirmou que vai proteger infraestruturas estratégicas e propriedades públicas e pediu que a população frustre “os planos do inimigo”. Na sexta-feira (09), o líder supremo, Ali Khamenei, acusou os manifestantes de agirem em nome dos Estados Unidos e alertou que o governo não toleraria pessoas atuando como “mercenários a serviço de estrangeiros”. Em comunicado divulgado por sites semioficiais, os militares também responsabilizaram Israel e “grupos terroristas hostis” por tentativas de “minar a segurança pública”.

Os protestos começaram no fim do ano passado, inicialmente motivados pela inflação alta, porém, com o tempo, passaram a atingir diretamente os líderes religiosos. Em resposta à mobilização, o regime bloqueou o acesso à internet e às chamadas telefônicas internacionais. Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, a repressão já deixou 42 mortos e 2,3 mil detidos. Já a HRANA contabilizou 65 mortes até 9 de janeiro, incluindo manifestantes e membros das forças de segurança, enquanto o grupo Hengaw informou que mais de 2.500 pessoas foram presas nas últimas duas semanas.

A tensão seguiu elevada na noite de sexta-feira (09). A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, por “manifestantes violentos”, e a TV estatal exibiu imagens de funerais de integrantes das forças de segurança mortos durante protestos em cidades como Shiraz, Qom e Hamedan, em um cenário de crise agravado por sanções internacionais e pelos recentes ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos.