Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Em evento sobre o 8 de Janeiro, Lula veta integralmente o “PL da Dosimetria”

Presidente barra redução de penas para golpistas durante cerimônia que marcou três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes
Lula veta PL da Dosimetria no aniversário dos atos golpistas
Lula veta PL da Dosimetria no aniversário dos atos golpistas - Foto: Ricardo Stuckert / PR.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu, nesta quinta-feira (08/01), uma cerimônia em referência aos três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília. Durante o evento, realizado no Palácio do Planalto, Lula vetou integralmente o projeto de lei conhecido como PL da Dosimetria, que previa a redução de penas para condenados pelos ataques, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A cerimônia teve como foco a defesa da democracia após um episódio que terminou com cerca de 1,4 mil prisões.

Durante a solenidade, o presidente usou o simbolismo da data para justificar o veto ao texto aprovado pelo Congresso no fim do ano passado. Nas redes sociais, Lula afirmou: “O 8 de janeiro está marcado na História como o dia da vitória da democracia. Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas. Sobre os que sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários, e pretendiam submeter o Brasil ao regime de exceção. A tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 veio nos lembrar que a democracia não é uma conquista inabalável. Ela será sempre uma obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores. Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho. E defendida com unhas e dentes, dia após dia.”

A cerimônia foi aberta pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que destacou que crimes contra o Estado Democrático de Direito não podem ser perdoados. Segundo ele, esses atos são imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia. “Os crimes cometidos contra o estado democrático de direito, como muitos daqueles praticados naquela época recente do 8 de janeiro, conforme consta da Constituição e da decisão do STF, são imprescritíveis, impassíveis de indulto, graça ou anistia, sobretudo quando envolvem grupos civis e militares armados”, afirmou.

Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse que a liderança de Lula foi decisiva diante da tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. “Quero dizer ao presidente Lula que foi a sua liderança que salvou a democracia no Brasil. Se, quando perderam as eleições, tentaram um golpe de Estado, imagine o que não teriam feito se tivessem vencido”, declarou. Além disso, Alckmin defendeu a responsabilização dos envolvidos: “O que diferencia homens e mulheres públicos é quem tem apreço pela democracia e quem não tem” e completou: “Justiça não se divide, justiça não se fraciona. Aqueles que roubaram, cometeram crime, devem sofrer o rigor da justiça e o peso da história”.

O evento teve ausências importantes, como os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além do ministro Edson Fachin e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Após a assinatura do veto, Lula, ministros e parlamentares desceram a rampa do Planalto para cumprimentar manifestantes que pediam punição aos golpistas e o veto ao PL da Dosimetria. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), além de sindicatos e organizações populares, participaram do ato. Além de cobrar punição aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, os manifestantes exibiram cartazes e entoaram gritos de ordem contra os ataques dos Estados Unidos na Venezuela. Com a decisão do presidente, agora cabe ao Congresso avaliar se mantém ou derruba o veto, com expectativa de análise em sessão conjunta a partir de fevereiro.