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O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta quarta-feira (29/10) uma notícia de fato na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de inquérito criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a relação do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) com o chamado “cartel hardcore” da máfia dos combustíveis em Minas Gerais. O caso ganhou visibilidade após a reportagem da jornalista Sara Vivacqua, publicada no Diário do Centro do Mundo (DCM), revelar supostas conexões entre o parlamentar e o grupo criminoso que, segundo a apuração, atua no estado desde os tempos do ex-governador Aécio Neves, envolvido em investigações sobre fraudes fiscais e manipulação no setor. A matéria aponta que a ascensão de Nikolas Ferreira não estaria apenas ligada à sua popularidade nas redes sociais, mas também a um possível apoio de empresários e organizações ilegais.
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De acordo com Sara Vivacqua, a investigação jornalística durou dois meses e traz indícios de que Nikolas Ferreira teria recebido apoio político e financeiro de empresários ligados a esquemas de corrupção e sonegação de impostos. A reportagem destaca que o maior doador individual da campanha de Nikolas foi Ronosalto Pereira Neves, empresário do grupo varejista Mart Minas, investigado pela Polícia Federal na Operação Ross e que já confessou participação em repasses ilícitos envolvendo o ex-senador Aécio Neves e a JBS. Além disso, durante suas campanhas de 2020 e 2022, o deputado usou como endereço de comitê eleitoral um posto de gasolina desativado na Avenida Silva Lobo, em Belo Horizonte, local pertencente à Du Pape Empreendimentos S.A., empresa ligada a Ciro Augusto Bergomi Picarro e Augusto Joaquim Picarro, ambos investigados e condenados por envolvimento no cartel de combustíveis e fraudes fiscais apontadas pela Operação Mão Invisível.
Essas empresas foram condenadas pelo Conselho de Contribuintes de Minas Gerais por práticas como manipulação de bombas de combustíveis, sonegação de ICMS, uso de caixa paralelo e fraudes fiscais. O material publicado também relembra uma notícia de fato anterior apresentada pelo deputado Rogério Correia, que já havia pedido investigação sobre a conduta de Nikolas ao divulgar desinformações sobre o Pix, o que, segundo ele, poderia estar alinhado a interesses de grupos que se beneficiam da falta de transparência financeira.
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Sara Vivacqua reforçou ainda o alerta sobre a relação entre setores da ultradireita e o crime organizado, afirmando que esse tipo de aliança vai além das redes sociais e se estrutura em bases econômicas e criminosas. “Nós precisamos traçar as relações da ultradireita com o crime organizado. Essas figuras não surgem do nada. Há uma estrutura financeira e criminosa que as sustenta”, disse a jornalista. No novo pedido encaminhado à PGR, Rogério Correia solicita a abertura de inquérito policial para apurar os fatos e a comunicação formal ao STF, responsável por supervisionar a investigação devido ao foro privilegiado do deputado. O petista também pede que o Ministério Público Federal adote medidas cautelares patrimoniais, caso sejam encontrados indícios de ocultação de valores ligados ao esquema.







