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A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (22/10) o regime de urgência para o projeto que cria a bancada cristã na Casa. A proposta recebeu 398 votos a favor, 30 contrários, 3 abstenções e 81 ausências. Com a urgência aprovada, o texto poderá ser votado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões. O projeto foi apresentado pelos deputados Gilberto Nascimento (PSD-SP) e Luiz Gastão (PSD-CE), presidentes das frentes parlamentares evangélica e católica, e prevê que o líder da nova bancada participe das reuniões de líderes com direito a voz e voto, além de poder usar a palavra no plenário por cinco minutos semanais durante o período de comunicações de liderança.
Entre os partidos, PL, PP, PSD, Podemos, PSDB, Solidariedade, PRD, Novo, PV, Cidadania e Rede tiveram 100% dos votos favoráveis. No PT, 56 deputados votaram a favor e 10 contra. O PSOL foi o único partido em que todos os parlamentares presentes votaram contra a urgência. Já as abstenções vieram de Jandira Feghali e Alice Portugal (PCdoB) e Mário Heringer (PDT). A votação expressiva mostra o apoio da maioria dos deputados à tramitação acelerada da proposta.
O texto estabelece que a bancada cristã terá o papel de zelar pela participação de seus membros nas atividades e órgãos da Câmara. A medida não extingue as frentes parlamentares já existentes, mas propõe que a bancada evangélica e a bancada católica atuem de forma independente, mantendo sua identidade, em pautas que expressem valores comuns. Caso o projeto seja aprovado, a bancada cristã se somará à bancada feminina e à bancada negra, que já possuem assento formal no Regimento Interno da Câmara dos Deputados.
Apesar da ampla aprovação, a proposta gerou polêmica entre deputados de partidos de esquerda. Eles afirmam que a criação da bancada cristã mistura religião com política, o que, segundo críticos, pode ferir o princípio do Estado laico. O deputado Mário Heringer (PDT-MG), líder do partido, afirmou que a nova bancada discrimina outras religiões. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também se posicionou contra a medida, dizendo:
“Uma relação de aliança e preferência de natureza religiosa dentro da estrutura do Legislativo federal, o que é proibido pelo princípio da laicidade. O espaço político não pode privilegiar com voz e voto no Colégio de Líderes uma fé professada”, afirmou.







