Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Ministério Público investiga empresário por suspeita de lavar dinheiro do PCC em investimento no Atlético

Investimentos milionários feitos por meio do Galo Forte FIP e da Galo Holding S.A. levantam suspeitas de ligação entre o empresário Daniel Vorcaro e um esquema de ocultação de patrimônio da facção criminosa

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O empresário Daniel Vorcaro é alvo de uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com o jornal Estado de São Paulo, que revelou o caso por meio do jornalista Rodrigo Capelo, os promotores apontam que o investimento feito por Vorcaro no Atlético Mineiro teria servido para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio da facção criminosa. O empresário investiu no clube por meio do Galo Forte FIP, adquirindo 26,9% da Galo Holding S.A., empresa responsável pelos direitos da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético. O primeiro aporte foi de R$ 100 milhões em 2023, seguido de mais R$ 200 milhões em 2024.

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Segundo a apuração, os valores registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) coincidem exatamente com os montantes aplicados por Vorcaro no clube. Ainda conforme os documentos obtidos pelo jornalista, o Galo Forte seria a sexta empresa na cadeia de um esquema usado para lavar dinheiro do PCC. Essa estrutura, segundo o Ministério Público, envolveria fundos de investimento e fintechs, criados para ocultar a origem dos recursos ilegais e dificultar o rastreamento financeiro.

Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (17), o Atlético Mineiro declarou não ter conhecimento de qualquer irregularidade relacionada aos investimentos realizados. “O Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia é um veículo de investimento devidamente constituído e regular perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sob administração da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA”, afirmou o clube. A nota ainda reforça que a administradora também é registrada na CVM e que o fundo figura como acionista da Galo Holding S.A., “contexto no qual o Atlético não tem conhecimento de quaisquer irregularidades”.

De acordo com a investigação, o dinheiro usado por Vorcaro para adquirir a participação na Galo Holding S.A. teria origem em um fundo idêntico ao investigado na Operação Carbono Oculto, que apura fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. O objetivo da operação é desmantelar uma rede de empresas controladas pelo crime organizado, que atua desde a importação e distribuição até a comercialização ao consumidor final. As apurações indicam ainda que os lucros obtidos eram blindados em fundos de investimento com múltiplas camadas de ocultação, dificultando a identificação dos reais beneficiários.

As movimentações financeiras investigadas eram feitas principalmente por meio de fintechs e instituições de pagamento, e não por bancos tradicionais, o que, segundo o MPSP, dificultava o rastreamento dos valores e a detecção da origem ilícita dos recursos. O caso segue sob investigação.